2012 – Filme

Ontem fui ao cinema ver o mais novo filme-catástrofe de Roland Emmerich e posso afirmar que se vocês já viram outras produções desse cineasta, como O Dia Depois de Amanhã ou Independence Day, não vão se surpreender muito com 2012, que segue a mesma linha de destruição global.

2012 é um ótimo filme para assistir com os amigos, dar risadas e esquecer dos problemas. Não é necessário pensar muito para entender a história, que gira em torno de problemas familiares e conspirações governamentais que já vimos em outros filmes do gênero. O que mais chama a atenção no longa são as situações absurdas e os momentos cômicos que surgem nas horas mais impróprias, quebrando o clima de tensão e drama das cenas.

Faltou criatividade nas cenas de fuga, que se repetiam ao longo do filme. Perdi a conta de quantas vezes eles tiveram que fugir de carro enquanto o chão se abria atrás deles, para depois pegarem um avião, desviando de prédios e monumentos históricos. A duração de quase 3 horas também foi um grande defeito, principalmente pra quem não é muito fã de filmes – catástrofe. As situações altamente forçadas – rosquinha gigante rolando no meio da rua, teto da Capela Sistina, atitude do presidente dos EUA e as fugas da família Curtis – chegam a ser cômicas e dão vergonha alheia.

O filme focou-se muito na situação política presente e não abriu espaço para a história que deu origem ao filme: o calendário Maia e as teorias secundárias. Quem pesquisa um pouco sobre o assunto sabe que as teorias apocalípticas para 2012 são muito ricas culturalmente e dariam uma ótima base se fossem melhor aproveitadas. O calendário de Conta Longa, o I Ching, os mitos Hopi e o WebBot são as principais fontes da teoria de 2012 e mal foram citadas no filme (webbot nem chegou a aparecer). Quase 3 horas de filme mal aproveitadas, na minha opinião.

Apesar dos poréns, 2012 não deixa a desejar em sua proposta. Há muita destruição, frases de efeito e uma liçãozinha moral no final. É um filme que sacia o nosso desejo milenar de ver o mundo indo pelos ares.

PS: Não se empolguem muito com a cena do Cristo Redentor dos trailres e posters.

Essas novelas…

Essa cena já foi ao ar faz um tempinho, mas acredito que ainda mereça atenção. Não é preciso fazer uma análise profunda para perceber que a cena é extremamente preconceituosa, não é?

Pelo o que acompanhei por aí, a personagem Helena recebeu esse tapa por não ter cuidado da enteada, que acabou se acidentando.

1ª observação:  Que novelinha tosca! A Helena levando tapa porque não cuidou de uma marmanja da idade dela?! Só em novela do Manoel Carlos mesmo, onde sempre tem uma mulher mimada e infantil que sofre algum acidente/doença na vida e vira gente. Quem viu uma novela desse cara aí já viu todas…

2ª observação: De todos os barracos de novelas que me lembro, nunca vi a mocinha apanhando de joelhos. Acho muito curioso isso ter acontecido justamente com uma personagem negra, isso , pra mim, já diz muito sobre a mentalidade do autor do folhetim.

Manoel Carlos adora colocar “polêmicas” em suas novelas, talvez porque seja o único jeito de sustentar suas novelas medíocres alavancar a audiência, mas dessa vez o homem exagerou. Muita falta de respeito com as mulheres negras, que ainda são mais vulneráveis ao preconceito.

3ª observação: O mais preocupante nessa história toda é que o povo que acompanha a novelinha acha que o tapa foi merecido. Como assim? Quer dizer que é certo uma mulher negra se ajoelhar para ser esbofeteada por uma branca? É certo ela ser responsabilizada por um acidente que aconteceu com uma mulher da idade dela? Algo está muito errado. Ou as pessoas perderam o senso crítico, ou essa novela tem poderes hipnóticos.

É uma pena ver que as novelas (potentes formadoras de opinião e fonte de instrução no nosso país) estão carregadas de valores ultrapassados e criminosos.