Friendzone? Machismo pouco é bobagem…

Friendzone, ou Zona da Amizade, é um termo muito usado para definir uma espécie de “limbo” dos relacionamentos, quando um dos envolvidos quer um romance com o outro, que, por sua vez,  só o vê como amigo. Não ser correspondido é uma experiência ruim, mas faz parte da vida,  não é mesmo? Ao que parece não, o que deveria servir como forma de lidar com as frustrações da vida acabou se tornando um círculo vicioso de vitimização e egoísmo.

Conheci um cara legal. Mais um troféu para minha zona da amizade.

O termo ganhou popularidade na série Friends, e desde então tem sido usado com frequência, especialmente por homens. O filme “Apenas Amigos” conta a história de um homem que foi friendzoned por sua melhor amiga na época do colégio, retornando à cidade 10 anos depois, cheio de rancor e pronto para mostrar a ela que é um outro homem, não mais o amigo companheiro e sensível de outrora. Vou usar esse filme como exemplo para explicar o porquê de a Friendzone ser um conceito machista, assim como sua relação com a cultura de estupro. ATENÇÃO! Abaixo há spoilers (revelações do enredo) do filme.

O filme começa com o personagem do Ryan Reynolds ainda adolescente, prestes a se formar na High School, escrevendo uma declaração de amor à sua amiga, personagem de Amy Smart. Graças a um descuido, a declaração cai em mãos erradas e ele é ridicularizado por colegas, enquanto a moça explica que só gosta dele como amigo. Magoado, o adolescente sai da cidade, dizendo que “um dia será alguém”.

O tempo passa e 10 anos depois, por acaso, ele volta à cidade. Perdeu alguns quilos, virou mulherengo (no more Mr. NiceGuy) e tem um bom emprego (e acha que vai impressionar sua velha amiga se agir feito um riquinho arrogante que trabalha com celebridades). Durante todo o filme, ele se comporta como uma criança mimada, querendo sair da zona da amizade de qualquer jeito, competindo com outro cara que também tem interesse pela moça. Em nenhum momento, e é bom frisar isso, ele se importa realmente com ELA, mas sim em conquistá-la, como se ela fosse um prêmio merecido pelo tempo que ele passou gostando e sofrendo por ela. Em um ponto do filme, ele chega a culpá-la pelo seu sofrimento amoroso, como se ela tivesse a obrigação de aliviar seu desejo.

Como toda comédia romântica, eles ficam juntos no final, mas só após ele pedir desculpas pelo comportamento infantil e demonstrar seu amor de forma sadia e normal.  Uma cena final, com três crianças, dá a entender que o drama da zona da amizade acontecerá outra vez, onde um menininho entrega seu biscoito à amiga, que agradece e dá o biscoito a outro menino. O menininho percebe que a menina só o vê como amigo e diz “oh não!”.

Por que friendzone é machismo?

1- Vilaniza mulheres por terem direito de escolher seus parceiros amorosos/sexuais;

2- O homem vê a mulher como um objeto de seu merecimento, e não como um ser humano complexo, com vontade própria e desejos;

3- O homem se sente injustiçado ao não ter seu bom comportamento reconhecido e recompensado. Ser “bonzinho” só para ter algo em troca é nojento. Se é tão ruim assim ser amigo da mulher desejada, é porque não é amigo dela, nem se importa com ela, só com o ego masculino ferido.

O que isso tem a ver com a cultura de estupro?

Tudo a ver. Mulher objetificada é mulher sem voz, sem vontades. O corpo da mulher é considerado público, à disposição de qualquer homem que se sinta merecedor. A partir do momento em que a mulher ganha voz e passa a decidir com quem transar, o homem machista se sente ameaçado. Lembremos que estupro não é um ato sexual, mas sim de dominação e poder. Friendzone nada mais é do que um discurso machista para julgar mulheres por seus desejos e escolhas, querendo colocá-las em “seu devido lugar”.

Atualização: devido a alguns questionamentos nos comentários, resolvi esclarecer alguns pontos que ficaram soltos e mal explicados.

E se gostarmos um do outro, mas ambos acharmos estar na zona da amizade?

Friendzone é o limbo dos relacionamentos, aquela situação de amor platônico, onde uma pessoa quer um relacionamento amoroso e a outra não. Essa situação se torna especialmente ruim porque as partes envolvidas não saem da situação, por algum motivo. Uma das reclamações mais frequentes é que o amigo desejado não expressa sua recusa, prendendo o amigo apaixonado na friendzone. Se houvesse um “não”, um “eu não tenho atração por você” ou “eu não gosto de você dessa forma”, a situação estaria resolvida. Isso não é o que eu critico aqui, gente. Acho que não ficou claro antes. Um artigo bom sobre o tema: 7 motivos pelos quais você foi colocado na friendzone.

Enfim, a minha crítica é sobre a deturpação desse conceito em um espiral sem fim de mimimis de quem não aceita “não” como resposta, ou se sente injustiçado por ser recusado por alguém. Vê-se memes vilanizando mulheres que recusam ter um relacionamento amoroso com amigos. Não se trata da friendzone como limbo, já que a recusa é clara. O que incomoda, nesses casos, é que a mulher tenha liberdade de escolher seus parceiros amorosos/sexuais. Memes e tirinhas explicando a grande injustiça que é ser um cara legal e não ser correspondido, enquanto a garota escolhe outros caras para namorar. Como se a garota não tivesse o direito de escolher seus parceiros. Uma coisa é a mulher agir de forma dúbia, para usar o amigo de massageador de ego (um dos problemas da friendzone), a outra é haver uma recusa clara e ser chamada de vadia por ter dito não (a friendzone deturpada e machista).

Essa é grande: Uma mulher tem um amigo próximo. Isso significa que ele provavelmente está interessado nela, já que está sempre por perto. Ela o vê somente como amigo. Isso sempre começa com um “você é um ótimo rapaz, mas eu não gosto de você desse modo”. Essa situação é aproximadamente o equivalente a um cara ir a uma entrevista de emprego e a empresa dizer: “você tem um ótimo currículo e todas as qualificações que nós procuramos, mas não vamos te contratar. Vamos, ao invés disso, usar seu currículo como base para comparar os outros candidatos. Mas vamos empregar alguém menos qualificado e provavelmente alcoólatra. Se não funcionar, vamos contratar outra pessoa, mas não você. Nós nunca iremos te contratar, mas te chamaremos eventualmente para reclamar sobre a pessoa que contratamos.

Vejam só: nessa situação HÁ recusa. A mulher diz que não gosta dele “desse modo”, que é um eufemismo para dizer que não se sente atraída. O que ocorre depois? O cara compara um fora a uma recusa de emprego. Como assim, Bial? Só eu acho isso bizarro?

O mais assustador não é isso, é ver que um dos comentários que ganhou mais likes foi este:

Se ela te colocar na zona da amizade, coloque-a na zona do estupro!
(Clique na imagem para ir ao site)

Um exemplo bem explícito do desrespeito ao “não” de uma mulher. Ver o estupro como vingança, mesmo que em forma de “brincadeira”, é perigoso. É a consequência mais grave desse tipo de pensamento, de não considerar a mulher como sujeito de vontades e escolhas.

Ela diz que você é o homem perfeito, mas ainda escolhe cafajestes ao invés de você. Não há como explicar isso.

Só eu acho muito conveniente se auto-declarar “bonzinho” e chamar todos os outros de “cafas”?

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55 thoughts on “Friendzone? Machismo pouco é bobagem…

  1. ManoPaiva diz:

    Assisti este filme, achei entre legalzinho e bobinho. Claro que me remeteu aos muitos foras que levei entre pré-adolescência e adolescência. Não sabia dessa expressão “friendzone”, então o cara que é colocado nesta condição por ter sido não-aceito como parceiro amável ou sexual está Friendzonado? e portanto é um potencial estuprador, e já de cara um machista? é isto? os caras que foram colocados “apenas como amigos” já são suspeitos?

    • O machismo está no modo como o friendzone é visto por aí. O que era pra ser uma situação comum na vida (levar fora, não ser correspondido) foi transformada em teoria de conspiração. A primeira imagem mostra isso claramente, a mulher que rejeita o cara é vilanizada só por ter a audácia de dizer não. O que definirá o cara como machista é o modo como ele lida com o fato de não ser correspondido.
      Se esse cara for machista, não necessariamente será um potencial estuprador, mas essa visão de não levar em consideração a vontade da mulher é um dos elementos que torna o estupro um crime cheio de tabus. É desses machistas que se espera comentários do tipo: “ela tava dando mole, mereceu ser estuprada”, e coisas do gênero.

      • ana b. diz:

        pô vei, eu discordo desse texto… friendzone pra mim, é quando uma pessoa enxerga outra pessoa realmente como amigo… e véi, nada a ver ser um conceito machista.. porque friendzone não é uma coisa que acontece só em relações heterossexuais, não é um fato que ocorre só com determinados gêneros…. nas relações homossexuais acontece a mesma coisa porque isso é do comportamento do ser humano… e na boa, o autor viajou relacionando à cultura do estupro… nessa relação de friendzone não rola apenas desejo sexual, há também a parte sentimental… tudo bem que alguns homens são dominados pela raiva, mas isso ai é devido a distúrbios psicológicos e acontece em parte dos casos, o que não é significativo à ponto de fazer uma comparação dessa…

      • Concordo que a friendzone pode ser vista de diversas maneiras. O problema que eu critico é que muitos usam desse conceito para se vitimizarem e culparem as mulheres pelo fato de estarem sozinhos.
        O que é preocupante é que usem desse conceito para criticar o “não” das mulheres, o seu direito de escolha.
        Essa visão de que mulheres são “más” quando recusam um relacionamento amoroso com um homem está relacionado com a cultura de estupro do seguinte modo: a escolha da mulher não é levada em conta; a mulher é vista como um prêmio merecido (vide filmes/livros onde a mulher só existe para ser o par romântico do personagem principal). Isso é objetificação, e não diz respeito somente a sexualidade.

      • Homens “machistas” são homens honrados, que se valorizam antes de tudo, por isso não caem nessa de friendzone. São homens que respeitam as mulheres e suas vontades, simplesmente se recusando a ter relacionamentos com aqueles que lhes são dignas.

        Estupro é coisa de gente doente. Quem faz isso o faz por sadismo e não por desejo sexual. Homens que propõe o estupro com forma de punição não devem ser chamado de machistas, mas sim misóginos. O misógino é o homem que odeia mulheres e tudo o que é feminino. O contraponto feminino é a misandria, que é o o ódio de certas mulheres pelos homens e pelo mundo masculino, ou machista, como preferir.

        A crítica das garotas não é pelo seu direito de decidir, mas pela forma manipuladora e oportunista que essas garotas usam. Fingem-se de interessadas, dando falsas esperanças, falando que gostam de caras legais, atenciosos, românticos e tudo mais. O sujeito faz tudo o que ela diz que gosta para depois ser trocado por um marginal que c*** e anda pra ela. Faz isso de propósito, faz do rapaz um OBJETO para tirar vantagens e depois se faz de vítima quando o cara a acusa de seduzi-lo ou fingir estar interessada, dando uma de inocente quando na verdade sabia muito bem o que estava fazendo.

        Concordo que tem caras que são toscos demais, bundões, e não tem mulher que vai querer uma coisas dessas; mas não desses que eu to falando. Uma coisa eu aprendi após muitas surras, o homem deve ser másculo, independente, falar o que pensa e jamais deixar de ser MACHISTA. Tudo aquilo que as mulheres chamam de machista e fazem entender que é ruim, são as qualidades dos caras para quem elas dão.

      • Levar um fora é uma coisa, friendzone é uma situação escrota completamente diferente em que uma garota não corresponde um cara e não conversa com ele sobre isso,age sempre como indecisa ou sempre desvia de perguntas e geralmente é um cara que está a amando na inocência e só quer saber honestamente o que ela pensa disso,sexismo é ignorar o fato de que ele quer conversar sobre o assunto assim como em um relacionamento uma mulher diz com raiva “vai lá e se divirta” e quer dizer o oposto e o cara não entende,dizer “ah mas somos amigos” sem mais nada a acrescentar também não dá pra entender até porque tem muitos relacionamentos que saim disso,

        friendzone é quando a garota não vai dar chance e também não conversa honestamente sobre o assunto e quer que o cara adivinhe o que ela quer sem conversar, passe a deixar de gostar dela como magica e ainda de quebra quer que continue agindo como um ursinho de pelúcia sazonalmente descartável e não tem a autorização de ficar triste,e quando uma menina leva um fora com o mesmo nível de escrotidão só que no padrão da mulher ai é “machismo” ,se isso não é ser sexista então o significado da palavra mudou,e sabe homem não tem bola de cristal caralho vai lá e conversa com ele esse joguinho é terrível e mais terrível ainda quando a pessoa já não tem confiança em si e ai chega as conclusões devido a não haver comunicação clara, das duas uma ou ele é tão lixo que seus sentimentos não merecem nem ser discutidos de forma aberta e tranquila e se afunda

        ou o que é a conclusão da maioria e por boas razões tenho que acrescentar INFELIZMENTE ,sério é babaca,mas é a impressão que passa é que não vale a pena ser gentil,não vale a pena tratar uma mulher como igual ,vale a pena sair por ai pegando meio mundo e não se apegando a ninguém só por prazer,afinal a garota na qual o cara tinha tanto respeito e amava inocentemente não conversa com ele sobre o que ele sente,então porque deveria se importar com que alguma garota sente? e o pior 99,9999% das vezes não é que menina deu um fora e sim que não deu e nem ficou com ele ,ficou com um joguinho doentio por meses ou anos as vezes e nunca conversou honestamente sobre os sentimentos do outro,o que é Terrível ,mas está falta de comunicação é o maior meio para criação de machistas,

        pois afinal quem o cara ama,não conversa sobre isso nem para dar um fora,ou entrarem em um consenso,no lugar depois de muito tempo nota que é um ‘leproso’ de qual ela tem pena, então pra que vai sair sendo gentil se não tem resultado?nem pra sim e em pra não? ainda por cima,por logica pura estes caras,largam o que tem de cavalheiros afinal eles notaram na pratica que não vale de nada,tratar a garota como igual e querer conversar sobre ,eles tem mais resultado sendo cafajestes levam mais foras até ,mas LEVAM OS FORAS não tem um joguinho doentio que mais machuca do que ajuda.E o bizarro agora reclamar de algo que realmente faz MAL para os homens também é machismo,é muito infantil sua opinião é como se só mulheres tivessem sentimento e ainda por cima os homens tivessem que adivinhar eles com algumas frases,

        e ainda mais neste caso especifico conheço pelo menos 15 casais de amigos que hoje são casados e pelo menos 8 que tinham amor que não era reciproco se deram um tempo por CONVERSAR SOBRE O ASSUNTO e voltaram a ser amigos, e ai???? e também tinha o “ah mas somos amigos” ,sabe o que é a diferença? novamente eles conversaram sobre isso e não ficaram “ah mas não sei… mas veja bem …. ah que fofo amiguinho” ,NÃO! eles sentaram e conversaram, friendzone é quando isso não acontece e isso é sim e de forma terrível sexismo da parte das mulheres que é friendzone. Então quando um homem reclama de friendzone não é de levar um fora e sim DE NÃO LEVAR ,nem um sim e nem um não e só uma garota que mente pra si mesma que está sendo “boazinha” mas na real só usa isso para aumentar seu ego.

  2. Jair Santos diz:

    Nem os masculinistas nem a bitola ideológica feminista conseguem definir a friendzone como ela é de verdade, justamente por desconsiderarem que ela acontece com homens e mulheres, gays ou héteros. Friendzone e amizade são duas coisas bem distintas. Quando uma pessoa deixa a outra na friendzone, muitas vezes usa essa pessoa para massagear o próprio ego, ignorando totalmente os sentimentos do “friend” e se aproveitando do excesso de prestatividade. Amizade é outra coisa e só acontece qdo ambas as pessoas possuem as mesmas intenções. Quando uma pessoa é amiga, não deixa a outra na friendzone, se a amizade não é possível, fingir que existe uma só piora as coisas. Todos estamos sujeitos a deixar de ficar com a pessoa mais legal e preferir a pessoa tosca por essa ser mais atraente, a friendzone é uma faca de dois gumes, um cara deixado na friendzone pode ao mesmo tempo deixar uma mulher na friendzone e ter amigas mulheres de verdade ao mesmo tempo. É realmente difícil para um homem ver a mulher por quem está apaixonado ficando com um cara que chama ela de “buceta”. A postura machista dos “pegadores”, pode sim iludir um homem de que esse machismo o levaria a uma vida sexual ativa. O erro dos masculinistas e generalizar a hipocrisia de uma mulher que diz querer um cara sensível e odiar machismo, prefirir ficar com os tipos que chamam mulher de “buceta”, como se todas fossem assim. Assim como a hipocrisia de homens que dizem querer uma companheira interessante e escolhem mulheres fúteis e superficiais por causa do corpo. Para analisar essa questão é necessário se livrar do maniqueísmo.

    • Olha, friendzone não presume uma ação intencional da pessoa necessariamente. Eu sei que existem pessoas que gostam de massagear o ego, aproveitando-se dos sentimentos dos outros, mas o conceito de friendzone vai além disso.
      Se você não corresponde aos sentimentos de alguém, não significa que não seja amigo dessa pessoa. Ninguém deve se sentir moralmente obrigado a ficar romanticamente com um amigo, em nome da amizade. Se houver uma situação dessas, há friendzone, mas não há aproveitamento algum por parte de quem não corresponde.
      O que eu critico no texto é essa tendência de demonizar mulheres que não correspondem aos sentimentos amorosos do amigo. É achar que essas mulheres devem algo, simplesmente por não se sentirem atraídas por eles.
      E esse pensamento não vem somente de masculinistas, e é isso que preocupa.
      Concordo que não deve haver maniqueísmo.

  3. Jair Santos diz:

    O problema não é não corresponder aos sentimentos. Amigo de verdade sempre sabe quando o outro está apaixonado e é aí que está o problema das pessoas que deixam as outras na friendzone. Não há como ser amigo de uma pessoa e deixá-la na friendzone. O mais digno a fazer quando percebemos que um amig@ está apaixonado por nós é dar um tempo para que essa pessoa supere isso e não se aproveitar desta situação frágil, evidenciada no excesso de disponibilidade, quem faz isso não é amigo, é aproveitador. Ninguém tem culpa de não se sentir atraído por outra pessoa, mas sim de se aproveitar das esperanças de quem está apaixonado. Se lamentar sobre um coração partido para alguém apaixonado por nós é algo extremamente egoísta, pois fazendo isso estamos partindo o coração desta pessoa de uma maneira mais dolorosa que poderia ser evitada. É enfiar a faca no coração e torcer depois.
    Este é o grande problema de definir friendzone como machismo. Geralmente os homens que ficam na friendzone são os mais românticos, que olham a mulher não como um objeto de seu merecimento mas sim como um ser humano complexo, com vontade própria e desejos. A revolta está justamente por ver a amada preferindo alguém que a objetifica e procura o “friendzoned” para se lamentar sobre essa objetificação com total desconsideração para com os sentimentos do ouvinte. Isso vale para homens também. Quando uma pessoa deixa a outra na friendzone, ela é sempre o tema central das conversas, seus relacionamentos, suas frustrações, sem nunca perguntar ao ouvinte como ele está, como ele se sente. Ego ferido e coração partido são duas coisas diferentes. Deixar alguém na friendzone, é tentar compensar nossa insegurança se aproximando de alguém mais inseguro que nós, pura massagem no ego. Todos nós temos aquele amigo para quem lamentamos nossas desilusões, mas preferir fazer isso com quem está apaixonado por nós é cruel.
    Acho importante frisar, que essa revolta de quem fica na friendzone é uma resposta emocional e não racional a ponto de objetificar. Ego ferido pode levar ao estupro, mas coração partido não, a menos que hajam graves problemas psicológicos e propensão a violência, realidade distante da maioria dos homens românticos. O “friendzoned” não quer apenas sexo, quer relacionamento, não agrada a mulher por esperar uma recompensa (sexo), mas por estar apaixonado. não dá para ficar racionalizando coisas que são da esfera emocional.

    • Jair, estar na zona de amizade é simplesmente não ser correspondido pelo amigo. Friendzone nada mais é do que levar fora de um amigo. Tanto faz se o amigo deu um tempo pro outro se recuperar ou não, É friendzone.
      Friendzone não é se aproveitar dos sentimentos do amigo para massagear o ego. Pode acontecer, é claro, mas friendzone não é isso, é estar no limbo amoroso (amar alguém que não te ame, que só seja seu amigo).
      O que eu sempre vi quando homens machistas reclamam da friendzone é o seguinte: “eu fui um cara legal e ela disse que só me via como amigo”. Se isso não é sentimento de merecimento, eu não sei o que é. A revolta é bastante clara: o cara sente que “perdeu tempo” ao ser um cara legal com a garota e sair de mãos vazias (sem namorada).
      A minha preocupação é essa tendência de culpar a mulher por não ter correspondido ao amigo.
      O filme “Apenas Amigos”, apesar de ser bem sem sal, retrata o que seria a friendzone. O cara sempre foi apaixonado pela guria, que só o via como amigo (nem sabia que ele gostava dela), e quando ele contou, ela ainda se sentiu tri mal por ter de dar o fora nele. Não houve má intenção por parte dela, mas mesmo o cara era friendzoned.

  4. Jair Santos diz:

    Para haver friendzone é necessário que não haja uma amizade sincera de nenhuma das partes, pois amizades sinceras não possuem protagonistas. Pelo que você conta, o filme retrata uma amizade e não uma friendzone. Um amigo que se importa com o outro, não faz o mesmo passar pelas situações que eu descrevi acima. Você descreve a revolta de forma maniqueísta, como se homens não tivessem sentimentos e a culpa fosse só de um dos lados e é por isso que eu chamo de bitola ideológica. Quando uma pessoa deixa a outra na friendzone, as duas são culpadas, a que se aproveita e a que se deixa aproveitar. Amizade não é isso. Ser legal não é perda de tempo, bajular é. Todo mundo sabe quando está sendo bajulado, a maioria das imagens de friendzone q vc acha na internet são de situações de bajulação. Há uma relação de poder entre o apaixonante e o apaixonado, coisa que inexiste numa verdadeira amizade. Não querer nada com uma pessoa, não significa tratá-la como se ela fosse assexuada. Você generaliza a revolta alheia, como se algo subjetivo de ordem emocional se enquadrasse sempre em generalizações racionalistas e é aí que está o problema. Por mais que estejamos em uma sociedade onde homens possuem uma série de privilégios, quem tem alguém apaixonado por si, tem um poder sobre essa pessoa. Deixá-la na friendzone é não abrir mão desse poder em nome da amizade. É usar este poder para obter as vantagens da bajulação. Se não percebemos que alguém a quem chamamos de melhor amigo está apaixonado por nós, apesar de toda bajulação vinda dessa pessoa, realmente nos importamos com ela?

    • Nós entendemos friendzone de formas diferentes então.
      Friendzone é o limbo amoroso onde alguém não é correspondido e fica sem saber o que fazer. Pode sim acontecer em amizades. Aliás, a situação é peculiar justamente por ocorrer entre amigos. Há toda aquele dilema de não estragar a amizade e tal.
      Se a amizade era de fachada, aí sim pode ocorrer o que você diz. Note que não discordo de você, em amizades verdadeiras não há “abuso de poder” nem massageamento de ego, mas pode ocorrer friendzone, ou seja, o limbo amoroso por quem não é correspondido.
      Acontece que esse não é o foco da minha crítica. O que eu critico é o uso dessa expressão (friendzone) para vilanizar mulheres que não corresponderam os sentimentos de alguém. É a distorção que aparece em várias tirinhas e frases “de efeito” por redes sociais afora, como se a mulher não tivesse o direito de não gostar de um “bonzinho”.
      Não critico as reações emocionais dos apaixonados, aliás, disse que isso faz parte da vida. Nem sempre seremos correspondidos e é isso aí.
      Acontece que vilanizar as mulheres parece que virou moda ultimamente, e isso nada tem a ver com paixão.

      • Você esta equivocada. Concordo com o Jair, se alguém cai na friendzone é culpa da mulher, ou do homem que não sente nada pelo outro. Afinal você não vai cair na friend zone se o cara ou a garota disser pra você, “olha, nunca vai rolar nada entre a gente ok, eu não sinto atração nenhuma por você.” O friend zone rola quando o amigo gosta da amiga e não declara, e ela sabendo não diz nada e aproveita a situação, ao invés de falar logo e acabar com a friend zone. É obrigação do amigo de verdade falar e terminar com a friend zone se, como eu disse, for “amigo de verdade”.
        Agora quando o amigo fala que não quer nada além de amizade, e a outra pessoa continua fantasiando, ja passa de friend zone, para idiot zone, e o relacionamento com estupro não tem nada a ver.
        Você generaliza e tem um ponto de vista bastante contraditório.

      • A questão é que eu não vejo friendzone da forma que você expõe aqui. Expliquei no post o que entendo por friendzone, com base em comportamentos que vi na internet. A friendzone seria o limbo dos relacionamentos, onde o amigo não sabe o que fazer, pois não é correspondido. Eu disse que há casos de mulheres (e homens também) que se aproveitam desse “limbo” e usam o amigo apaixonado para massagear o ego, MAS que o conceito de friendzone está sendo deturpado por piadinhas e memes que vilanizam a mulher que diz “não” em qualquer caso. É isso que eu critico. Não generalizei em nenhum momento, não disse que todos deturpam o conceito, nem que todos vilanizam a mulher, mas que esse desrespeito com a recusa da mulher existe sim e me incomoda. São frequentes das tirinhas que mostram o cara oferecendo flores e bombons (por vontade própria, sem a mulher pedir) e depois xingando a mulher quando ela diz que não quer nada com ele. Relacionamentos não devem ser baseados em “toma lá, da cá”.
        Se você tivesse lido o que respondi ao Jair, teria visto que eu concordei com ele no sentido de saber que existem casos de mulheres e homens que se aproveitam da situação, mas friendzone não seria esse aproveitamento, e sim a situação de amor platônico não correspondido.

  5. Danilo diz:

    O mais legal de todas essas teorias, que conforme fico mais velho vejo as mulheres acabando por escolher se casar com os famosos caras da friendzone, ou alguém com um perfil identico, em quanto ver isso acredito que isso é real….

    • Anton diz:

      Sim, isso é bem frequente. É porque os “caras legais”, nesse caso, são considerados bons pra manter uma relação estável, sem os riscos das aventuras sexuais e jogos emocionais. Isso frustra duplamente esses “caras legais” porque eles sentem que as garotas viveram os “melhores anos de suas vidas” (entre os 20-30, em média) com outros caras, e agora os escolheram para serem “bons pais de família”, o que evidentemente significa uma relação menos erotizada e mais responsável. E sentem isso como uma derrota.
      Essa constante do comportamento da maior parte das mulheres na nossa sociedade é uma coisa que pode deixar louco quem não é emocionalmente maduro. E, infelizmente, é essa mesma sociedade machista que cobra demais das mulheres desde jovens (o lado “bom” disso é que acabam se fortalecendo emocionalmente), enquanto que nós estamos sempre sendo privilegiados (e portanto tendemos a crescer como crianças emocionais).
      Resumindo, é pelas diferentes formas como homem e mulheres são criados numa sociedade sexista que estabeleceu-se esse limbo da dita friendzone. A maioria de nós homens estamos sofrendo emocionalmente porque não desenvolvemos esse lado psicológico (eu mesmo já fui um desses “caras legais”), enquanto que as mulheres simplesmente não entendem como a gente pode ser tão mimimi, já que elas lidam com isso desde muito cedo. Em casos mais extremos, algumas mulheres enxergam esses homens imaturos como “monstros estupradores em potencial”, o que não é um equívoco de todo…
      É uma situação complicada, mas o fato é que o começo de tudo está no machismo. Essa revolta das feministas é compreensível, porque a culpa foi NOSSA (ou dos nossos antepassados, mas ainda “nossa” num sentido mais abrangemte) e não delas; o próprio Nessahan Alita fala isso em seu livro mais conhecido, mas os otários dos “masculinistas” deturparam totalmente seus textos e pegaram pra si só o lado mimimi. Quem sabe ler Alita não perde tempo com essas merdas de “meter a real”, que ele nunca aprovou, e prefere viver sua vida numa boa só não deixando a natural complexidade feminina enlouquecer sua cabeça. Espero que um dia nós também sejamos criados de modo a sempre lidar com obstáculos emocionais desde a infância, pra acabar essa culpabilização das mulheres (e autovitimização nossa) durante a fase adulta, aceitando as coisas como são e não tentando forçar as mulheres a adotar um comportamento que nós não adotaríamos por elas.

      • Anton diz:

        – Errata no meu comentário: *”abrangente” e não “abrangemte”.
        – Outra coisa, quando disse que “não é um equívoco de todo”, me referi ao fato de algumas mulheres verem esse potencial estuprador em homens imaturos. De forma alguma relativizei ou tentei amenizar o comportamento nocivo desse tipo de homem.

      • Bem, quanto à sociedade machista e como isso afeta os homens imaturos: é um problema grave mesmo, pois as pressões que os homens sofrem também são grandes e limitadoras, a diferença é que homens não são vistos como seres inferiores se conseguirem seguir os padrões impostas, já as mulheres o serão sempre nesse tipo de ideologia torta. Acredito que a solução está na educação. embora seja difícil educar quando o meio externo empurra todos esses estereótipos desde cedo.
        A responsabilidade é de todos, homens e mulheres, e todas as críticas que faço assim, faço primeiramente a mim, já que todos somos machistas, em certo grau. O problema é que alguns ficam em posição defensiva e negam ter qualquer tipo de responsabilidade perante à sociedade, aí fica difícil conversar.
        Concordo em quase tudo que você diz, exceto sobre NA: não acho que ele seja misógino, nem que tenha sido sua intenção alimentar os masculinistas, já que ele mesmo dizia que não queria ser guru de nada. O problema é que ele escrever livros de conselho/auto-ajuda voltados para homens equilibrados emocionalmente. Acontece que não são os homens equilibrados emocionalmente que vão procurar os livros de NA, mas sim os que estão confusos/frustrados ou com raiva, buscando respostas para sua situação amorosa. A chance de um cara nesse estado entender mal os livros de NA é muito grande. Além disso, ele é a favor de um sistema que não funciona nos dias de hoje: o machismo esclarecido e a submissão voluntária da mulher. Ou seja, o homem ainda terá que exercer o papel de liderança, e essa é uma pressão machista, que limita o papel dos homens.
        Sobre os potenciais estupradores: infelizmente temos que conviver com o medo de sermos estupradas. De certo modo, somos educadas para ter esse medo (cuidar a roupa que vestimos, o lugar que vamos, a luminosidade e a circulação do local, horário, bebida, etc). Essa educação de “ensinar mulheres a não serem estupradas” cria a ideia de que todos os homens são estupradores em potencial. Eu não quero viver pensando nisso, acho bizarro ter de ficar sempre alerta, desconfiando de todos. Se nós fossemos viver assim, enlouqueceríamos. O meu medo é com a naturalização da violência, uma maior aceitação do estupro se este for “justificado”, por exemplo, ou a ideia errônea de que ter relações sem o consentimento de uma pessoa bêbada não é estupro. Tenho medo desse sentimento de merecimento que alguns friendzonados tem em relação às mulheres, achando que merecem que as coisas caiam do céu pelo seu bom comportamento, algo como justiça divina. Tal pessoa pode achar que estupro, nesses casos, é justificável, ou que não é verdadeiramente um estupro, já que a mulher lhe deve algo em troca. Nesse caso, sim, penso nesses homens como potenciais estupradores, o que não significa que eu odeie homens, ou que ache que todos os homens assim (pelo contrário, convivo com muitos homens legais, em quem confio).
        Enfim, gostei bastante do seu comentário, acho que você expôs melhor alguns pontos, complementou o post.

  6. João diz:

    Carolina, o que realmente me incomoda na “friendzone” é justamente a mulher que é sua amiga dizer que você tem todas as qualidades de um bom namorado (carinhoso, companheiro, trata bem, etc etc) e você sabe que seria tudo isso justamente por gostar dela e saber que, pelo menos de sua parte, todo o carinho e companheirismo iriam se manter, mas aí ela diz que só o vê como amigo, ou seja: você é bom, mas não é.
    A questão do emprego naquele meme é justamente isso: você tem todas as qualidades, mas não tem. A mulher tem o direito de escolha? Obvio que tem. E por óbvio essa frustração jamais poderá justificar violência, mas o que me incomoda é essa incoerência: ”você tem todas as qualidades para ser um ótimo namorado, mas não para mim.“
    Aí realmente, num caso desses também quando ela vai para um cara que vemos que a trata mal, um cafa, (justamente porque algumas por serem amigas contam o que sofrem e eu penso: poxa, eu jamais faria isso com ela.) É que acabamos deixando de ser solidários e nos importamos, pois essa frustração amorosa delas acaba sendo conseqüência das ações delas.

    • João, arrumar namorado não é como receber o currículo de ninguém. Não é algo puramente racional, onde temos uma listinha de coisas que consideramos boas num cara e aí, se surgir algum que preencha todos os requisitos, terá que ser “contratado”.
      Se fala muito em clima, em química; o que isso significa? Que a atração física é necessária. Isso não quer dizer os friendzoned são feios, mas que simplesmente não bateu atração física alguma. Como namorar alguém por quem tu não te sente atraído?
      Outra coisa, para aquela mulher, o tal cafajeste pode ser companheiro e carinhoso, ué. Cada um vê as coisas de um jeito, e algumas podem inclusive ter esperança de mudar traços da personalidade do namorado (o que é errado, mas novelas vivem mostrando tais situações como ideais e românticas).
      E outra coisa: o que é um cara “bonzinho” e um “cafa”? É muito subjetivo.
      Claro que tem gente que infla ego ao rejeitar pessoas, mas esse é só um problema da friendzone, friendzone não se restringe a essas situações.
      Conheço um guri que vive fazendo discursos de como ele é friendzonado e tal, mas agiu de forma “cafa” com a última namorada (chamar de retardada na frente da família; dizer na cara dela que quando ele estava com ela, era perda de tempo, pq não estava no videogame; não levar a opinião dela em consideração, etc). Às vezes a pessoa pode ter uma visão errada sobre si mesma. Até hoje esse guri não assume que agiu de forma errada, já que ele se acha a vítima injustiçada da situação (a namorada agora é ex, justamente por causa desse comportamento dele).

  7. João diz:

    Errata: é “importarmos”, não “importamos”, no último parágrafo.

  8. Rômulo diz:

    É óbvio que a mulher tem o direito de escolha e o homem não pode forçá-la a nada. Nisso estamos de acordo, não se discute. O problema é que as mulheres que põem caras na friendzone dizem que gostam de caras sensíveis, companheiros e outras qualidades semelhantes. Aí o que fazem? Deixam o cara com todas essas qualidades na friendzone e vão pra balada pegar um cafajeste. O cafajeste as trata mal.
    Ele não é nada daquilo. É um porcaria. Mas é com ele que ela está. Natural, portanto, que o sujeito com mais méritos pense: “o que há de errado por aqui?”.
    E o friendzoned fica achando que precisa melhorar em algo.
    Ocorre que, depois de muito se divertir com, digamos, os caras “errados”, depois de vários anos, é com o friendzoned que a garota resolve ficar em definitivo. Para se casar.
    Acaba ficando impossível não notar um contraste hipócrita e até esquizofrênico nessas mulheres. Elas não trocam o amigo (que fica na friendzone) por outro cara com as qualidades que elas dizem valorizar. Elas trocam o friendzoned por um cara geralmente SEM NENHUMA DAQUELAS QUALIDADES.
    Você diz que é machismo o cara achar que, se tiver algumas qualidades, a mulher vai ficar com ele. Pois eu não acho. Afinal, é a própria mulher que impõe esses parâmetros!
    É a mulher que diz: eu valorizo caras sensíveis, eu gosto de caras inteligentes, eu prefiro os fiéis etc.
    Quando o sujeito, então, vê que preenche tudo isso, é óbvio, é natural que ele pense: “Legal, vou conquistar aquela garota por quem estou apaixonado!”
    E então ele depara com a realidade: ela vai trocá-lo por alguém que não tem nada daquilo.
    Será que é machismo? Ou mentira feminina?
    Quem tem o ego inflado nessa história toda?

    • Rômulo, não ser correspondido faz parte da vida.
      Tu pode ter todas as características de personalidade que ela almeja em um namorado (o que eu acho impossível, já que isso está mais no plano da idealização), mas pode não rolar atração física, ou pode ser que vocês tenham gostos pessoais (inclusive opinião política) diferentes. Enfim, ela pode não te achar interessante, e isso é normal.
      Aquele “cafajeste” pode preencher outros requisitos da lista imaginária dela, e mais a atração física.
      Como eu disse pro João, isso não quer dizer que os friendzonados são feios, mas que a atração física não bate, não rola nenhum “clima”.
      Eu já levei “nãos” na vida, e em todas as vezes eu me julgava a opção ideal (já que os homens também tem uma listinha imaginária e reclamam das “vadias” – não gosto deste termo), e ai, surprise surprise, levei toco. Acontece. E eu observava que alguns deles se envolviam com as supostas “vadias” que eles criticavam. Incoerência? Talvez não, pois a visão deles era diferente da minha, e eles tinham atração física por elas e não por mim. É normal.
      Não fiquei me achando injustiçada, pois não acho que mereço um presente do céu por ter bom comportamento.
      E faço a mesma pergunta que fiz ao João: o que é ser “cafa” e o que é ser bonzinho?
      E repito: eu sei que tem gente que gosta de inflar ego e deixar pessoas propositalmente na friendzone, mas friendzone não é só isso, é toda situação de paixão platônica não correspondida, seja porque a pessoa quer inflar ego ou não. Machismo é não aceitar que a mulher tenha escolha, por se achar merecedor dela. O cara recebe uma recusa clara (ou seja, não é deixado em stand by para inflar ego) e não se conforma, por achar uma audácia que a mulher o tenha recusado. O cara não fica na friendzone, pois não está no limbo, mas diz que está para se vitimizar e vilanizar o “não” da mulher.

      • Rômulo diz:

        Dou uma resposta sucinta: ser cafajeste é trair a namorada, é galinhar por aí enquanto se é comprometido, é dizer que está na casa da mãe e estar no boteco (e a namorada eventualmente descobre isso), é chegar em casa 3 da manhã bêbado e com mensagens de outras mulheres no celular. Isso é ser cafajeste, entre várias outras possibilidades. Acho que estamos de acordo, não?

      • Sim, mas o fato é que já recebi respostas muito diferentes, que nada tinham a ver com mau comportamento, falta de caráter ou desrespeito. Já falaram que ser cafajeste era ser: baladeiro, extrovertido, pagodeiro, risonho, piadista, pegador (sendo solteiro e não enganando ninguém), etc. Também já me falaram que ser bonzinho era: ser nerd, introvertido, tímido, gamer, estudioso, virgem (!), etc.
        Acho que tu concorda que essa avaliação é bem subjetiva.
        E acho que tu concorda também que não ser correspondido faz parte da vida, e que não existe justiça divina por bom comportamento. Os bullies da escola conseguem passar no vestibular e ter um bom emprego, assim como pessoas de má índole conseguem namorados. Nunca me achei injustiçada por levar toco.

      • Rômulo diz:

        Não acho errado, em suma, a mulher escolher o cafajeste. Mas então devia parar de mentir dizendo que valoriza determinadas coisas. Em geral elas sempre falam: “Quero um cara sensível, inteligente, fiel, honesto, que me respeite”. Acredito que isso é o que elas falam para a sociedade, já que não podem admitir gostar de cafajestes. E no fundo elas querem mesmo é um cafajeste. Gostam do cara que traz riscos, emoção, que a deixa meio insegura. O cara que sai à noite e ela não tem certeza se ele falou a verdade sobre onde foi. O cara que sai de perto dela para falar no celular. Em geral é disso que gostam.

        Nada contra! Mas admitam…

        Porque senão acabam atraindo o cara honesto, fiel e bonzinho para depois colocá-lo na friendzone. E ele ficará chateado com razão – por perceber que ela mentiu. Não se trata de machismo. Trata-se de palavra, coerência, ética.

      • Rômulo, repito: esse aspecto da friendzone, da mulher querer manter amigos na friendzone para inflar o ego (coisa que homens também fazem) existe e é criticável sim, mas não é só isso que pode acontecer na friendzone.
        Friendzone é toda situação de limbo, onde a recusa não é clara o suficiente para que o amigo saia da friendzone.
        O que eu critico no post é a vitimização de quem recebe uma negativa clara e mesmo assim quer dizer que foi friendzonado, só para vilanizar a mulher que não correspondeu os sentimentos dele.
        Às vezes simplesmente não rola atração física, tampouco afinidades. E aí? O que fazer? Acho que ninguém quer ficar com outro pra fazer caridade, né? Ou pra compensar o esforço do amigo apaixonado. Duvido que é isso que os friendzonados querem também, pois não seria verdadeiro.
        O que eu critico é a vilanização da recusa da mulher, como se mulher não pudesse não se sentir atraída por qualquer um que acha estar sendo legal com ela (e nem sempre está, fica a dica).

        Sobre os cafajestes/bonzinhos: homens também usam uma classificação para mulheres. As pra casar e as pra “se divertir”. Não gosto de divisões, pois duvido muito que as pessoas possam ser divididas em apenas dois tipos diferentes. Não sou simplista.

        E a situação que eu critico no post (não saber lidar com “não” e sair vilanizando a mulher que não te correspondeu) é sim machista, pois a mulher é vista como um merecimento para quem tem bom comportamento, coo um presente da “justiça divina”. São mulheres que dizem “não” aos supostos bonzinhos, e não as mulheres que mentem para ficar com “cafas”.

  9. João diz:

    “Outra coisa, para aquela mulher, o tal cafajeste pode ser companheiro e carinhoso, ué. Cada um vê as coisas de um jeito, e algumas podem inclusive ter esperança de mudar traços da personalidade do namorado (o que é errado, mas novelas vivem mostrando tais situações como ideais e românticas).”

    Bem, uma garota que deixa de tentar algo com um cara que é amigo, trata-a bem, respeita-a e gosta dela, para tentar algo com o cafa por achar que vai mudá-lo não pode reclamar quando ela terminar sem o cafa e sem o amigo, a meu ver. Ela tem direito a essa escolha? Claro. Mas não pode reclamar das conseqüências (óbvio, das conseqüências que não envolvam violência).

    “E outra coisa: o que é um cara “bonzinho” e um “cafa”? É muito subjetivo.”

    pode haver alguma subjetividade, mas não vejo como conceitos bem claros e bem distantes um do outro. Bonzinho – o kra que trata bem, respeita, gosta dela, procura agradar. Cafa – o cara que trai, combina encontro e nem aparece nem quer saber, que se embriaga ou chega em casa nervoso e a agride, etc.

    Esse garoto de quem você falou agiu de forma ridícula, tenho minhas dúvidas sobre ele ser friendzonado mesmo, pois quem geralmente está, quando consegue uma namorada, procura valorizar. Era uma cosia que eu nunca faria. Justamente por demorar, eu saberia dar o valor, não ia por num pedestal, pois acho que quando há desnível nos relacionamentos acaba gerando problemas, mas com certeza a trataria bem, com carinho etc.

    • Bom, João. Decidir por terminar a amizade com uma garota que não correspondeu os seus sentimentos é uma escolha somente sua, acho que ninguém teria como se meter nessa decisão. Acontece que essa situação que você apresenta não é o que eu critico no meu post, e eu deixei isso bem claro.
      Tem gente que coloca amigos na friendzone de propósito, para inflar o ego, mas isso em si não conceitua a friendzone. É criticável, mas neste post eu critiquei outro aspecto que pode ocorrer na friendzon: a vitimização diante de uma negativa, é dizer que foi friendzonado só porque não foi correspondido. Se não rola atração física, nem afinidades, não dá pra sair culpando deus e o mundo e se achando a maior vítima injustiçada por causa disso.
      Receber “não” faz parte da vida, é preciso aprender a lidar com frustrações e que nem sempre as coisas saem do modo como queremos.

  10. Anton diz:

    Não curto ficar nos blogs alheios dando uma de “defensor”, até porque nesses tópicos relacionados ao feminismo fica sempre a impressão de que homens-que-defendem-mulheres querem “algo a mais”.

    Mas vou falar algo não exatamente pra reforçar as opiniões da Carolina, e sim falar diretamente com o Rômulo e o João (não frequento este blog, mas voltei aqui depois do meu comentário e li os de vocês).

    Tem uma frase do Rômulo que sintetiza o que pensam 95% dos homens hetero que (ainda) são emocionalmente imaturos: “Nada contra! Mas admitam…”

    Meus caros, na boa: dane-se o que elas admitem ou não. Esse é um dos maiores problemas do “masculinismo” e afins: sujeito fica obcecado em “jogar na cara” que elas são hipócritas, que não deveriam ficar apontando qualidades que não as atraem sexualmente como se fossem qualidades de bons namorados, etc. Os nóias (não tô dizendo que vocês são assim, mas cuidem pra não virar) jogam TANTO essas verdades na cara da mulherada, como se fosse OBRIGAÇÃO delas admiti-las.

    Vamos supor que todas admitam, enfim, que falam uma coisa e fazem outra. E aí? Os friendzonados continuarão friendzonados, e talvez ainda mais do que antes.

    Eu não sou exatamente feminista; simpatizo com as ideias em um nível político, de emancipação feminina, mas ainda acredito em diferenças básicas entre homem e mulher (mesmo que sejam diferenças culturalmente condicionadas; nossa cultura não vai mudar radicalmente enquanto ainda estivermos vivos). E acredito que toda essa objetividade, toda essa necessidade de ouvir as coisas como-elas-são, isso é algo “nosso”, é culturalmente masculino. As mulheres tendem a comunicar suas emoções de outra maneira. E não adianta insistir, cara, elas vão continuar assim e ponto final. Aceite. Elas também aceitam uma porrada de coisas que acham incoerente em nós (pergunte pra uma mulher se ela acha lógico que a gente sinta tanto tesão por certas mulheres APENAS pelo fato de estas serem gostosas, mesmo que sejam totalmente burras e inseguras – ora, essas “gostosonas-burras-inseguras” são pra elas o equivalente ao que os “cafas” são pra nós). Aceitem que, aquilo que tanto valorizamos fisicamente, por algum motivo as atrai muito mais psicologicamente, e que portanto mais vale a elas uma aventura emocionante e imprevisível com um “cafa” do que um cotidiano constante (que elas quando jovens consideram monótono) ao lado de um “cara bonzinho”. Meu… “cara bonzinho” é geralmente o mesmo que acha que sexo bem-feito “acontece naturalmente”, e que enxerga “mulher pra casar” em novinhas que mal começaram a vida adulta. E essa ingenuidade dos “bonzinhos” transparece pra elas. Pense que essa ingenuidade e falta de atitude, pra elas, é tão broxante quando uma mulher terrivelmente feia pra nós (beleza é relativa, mas todo mundo têm seu padrão pessoal).

    Não sei se vocês lêem o tão controverso Nessahan Alita, mas digo: se lêem, estão ignorando as partes MAIS importantes (e menos fáceis de pôr em prática). O cara deixou muito claro: 1) “não tente pressioná-las ou isso terá um efeito contrário ao desejado”; 2) “as atitudes aparentemente contraditórias das mulheres são inconscientes, elas muitas vezes mal percebem o que fazem e por isso mesmo protestam quando as desmascaramos”. Então eu pergunto: o que vocês preferem? Ficar “desmascarando”, “metendo a real” em um monte de mulheres que vão continuar desprezando vocês pela falta de uma personalidade forte, autoconfiante e tranquila em relação ao comportamento complexo delas, ou vão aprender (sim, ninguém nasce sabendo) a desenvolver uma mente independente e uma linguagem corporal adequada, pra se comunicar com elas de maneira que as atraia sexualmente, e por fim “meter” aquilo que realmente interessa a ambos os lados?

    Enfim, à autora do blog peço desculpa se tiver sido inconveniente, pode apagar essa postagem se achar que minhas opiniões sobre gênero foram muito deterministas, ou que simplesmente escrevi demais. Mas acho que um dos grandes problemas para os homens hetero de hoje é a falta de mais vozes masculinas que endossem o discurso feminista sem no entanto abdicar de certos padrões já consolidados de masculinidade (afinal, o mundo não vai mudar da noite para o dia, e a gente nunca vai desconstruir 100% de tudo a que nos condicionamos).

    • Rômulo diz:

      Eu não sou do tipo de cara que “mete a real”, porque isso é infantil. Aliás, ultimamente, não sou nem friendzoned. Namoro uma garota há quase 3 anos. Sou o que se pode considerar bonzinho, o mais distante possível de um cafajeste. Então pode acreditar que não estou tomando absolutamente nada pelo lado pessoal.

      Em síntese, você diz: “Aceitem que, aquilo que tanto valorizamos fisicamente, por algum motivo as atrai muito mais psicologicamente”.

      Eu aceito. Quem não aceita são elas – que não admitem. Eu sei que me atraio fisicamente, eu sei que elas se atraem psicologicamente pelos cafas.

      Quem não sabe são elas, porque falam que se atraem por caras bonzinhos.

      E, na boa, qualquer um com um mínimo de conhecimento de psicologia humana sabe que a pessoa mais imatura de todas é aquela que não tem o mínimo autoconhecimento.

      Então quem é o imaturo aqui, cara pálida?

      • Rômulo, não duvido do que você diz, mas eu, pessoalmente, não vejo esse discurso mentiroso das mulheres com essa frequência (o que não quer dizer que nunca vi). As que gostam de cafas dizem que gostam de cafas, Aliás, no colégio os meninos que tinham um perfil mais desafiador (tipo brigar com professora, ser grosseiro com todo mundo e pagar de machão viril) eram os mais populares, os que mais tinham a atenção nas garotas. Não tinha nenhum esquema para esconder essa preferência, era algo bem óbvio.
        Acontece que ser incoerente não é prerrogativa de um gênero somente, e dá para encontrar homens com esse tipo de discurso também.
        Inclusive, há frases bastante usadas por mulheres que não gostam do tipo clássico de bonzinho: “enquanto o certo não aparece, vamos nos divertir com os errados” ou “não quero príncipe, prefiro o lobo mau, que te vê melhor, de ouve melhor e ainda te come”.
        Percebe-se que a intenção da primeira frase é o sexo casual, ou relacionamentos de curta duração, enquanto a segunda frase pontua que a mulher pode preferir tipos de homens diferentes do idealizado “príncipe encantado”, mas que não seja necessariamente cafa (apenas de ter o aspecto sexual relacionado com o de um cafa).
        Enfim, não julgo as preferências alheias, tanto masculinas quanto femininas, e concordo com o Anton sobre o condicionamento cultural é forte.
        Esse padrão da mulher ter um discurso de querer bonzinhos e se apaixonar por cafa é muito usado em filmes de comédia romântica (o que pode influenciar tanto quanto o mito do príncipe encantado). Esse tipo de incoerência pode ser questionada (não gosto do termo desmascarada, pois pode não ser algo intencional) quando a mulher em questão reclamar sobre a falta de homens bonzinhos. Primeiro, porque é um discurso preconceituoso e, segundo, porque pode partir de uma percepção viciada do mundo (a pessoa vê filmes e lê revistas e acha que no mundo real é a mesma coisa).

        Acontece que meu post não aborda esse assunto. No filme que eu citei e usei como exemplo (Apenas Amigos) enfoca outro aspecto da friendzone. A mulher não o troca por um cafa, tampouco usa um discurso mentiroso para enganar o protagonista. Eles são amigos, ele nunca deu sinais de sua atração, que foi descoberta pelo cafa da turma (e a mocinha não gostava dele). Quando ela descobre, vai correndo atrás dele se desculpar por não poder retribuir. Ele fica brabo e sai da cidade. 10 anos depois ele volta e passa a agir feito um babaquinha para mostrar a ela “o que ela perdeu”. Atitude imatura master, tanto é que lá pelo meio do filme o protagonista se dá conta do seu egoísmo e passa a mudar de atitude, sendo sincero com ela. O que eu critico é justamente essa postura imatura diante de qualquer recusa da mulher, e do mimimi que os supostos friendzonados inventam para se vitimizar.

    • Imagine, Anton, não precisa se desculpar pelo comentário longo, ou pelas suas opiniões. Até agora eu só deletei um comentário no blog, de propaganda. Não tenho problemas com opiniões diferentes.
      Enfim, concordo com você em muita coisa (o condicionamento cultural, as dificuldade de comunicação entre homens e mulheres). Não simpatizo com N.A., mas por outros motivos. A parte de auto-ajuda é interessante, pois desmitifica coisas sobre as mulheres. Colocar mulher em um pedestal é tão perigoso quanto a misoginia, pois nos dois casos há uma distorção de imagem.
      Sobre as preferências masculinas e femininas: pelo o que eu observo, essa glorificação das gostosas e dos cafas (ou badboys) faz parte do condicionamento cultural. Geralmente são pessoas com esses perfis que se tornam os populares no colégio, e por aí vai. Agora, não vejo mulheres negando que gostem de badboys, assim como não vejo homens negando que gostam de gostosas. Acho que o problema é mesmo com não saber lidar com a frustração de não ter sido aceito como parceiro sexual da mulher, em qualquer situação, goste ela de cafa ou não.

  11. Juca diz:

    Vou explicar essa coisa de merecimento com uma frase roubada da marcha das vadias “Não é sobre sexo, é sobre respeito”. Não sou legal para merecer sexo e sim sinceridade. Toda mulher tem o direito de escolha, de não achar o cara atraente e tudo mais, mas não acho que seja muito querer um pouco de sinceridade. Isso não vale só para mulheres, homens também colocam mulheres na friendzone. Para se manter a pessoa na friendzone, é necessário alimentar uma certa esperança, é marcar um encontro em que não pretende ir, para dar uma desculpa na hora ao invés de dizer não logo de cara. É cozinhar alguém com quem não pretende nada ao invés de deixar claro que daquele mato não sai coelho. Ser rejeitado dói muito menos que ser enrolado. Por um lado, eu até entendo os masculinistas, nas rodas de homens, onde os homens são muito mais sinceros, é muito frustrante ver que caras que mesmo quando “podem” ser machistas por estar só entre homens e falam que mulher não é objeto e deve ser respeitada vendo aqueles caras que chamam mulher de buceta tendo uma vida sexual muito mais ativa q as deles, inclusive com mulheres feministas. É um grande conflito para a cabeça ver as mesmas mulheres que criticam o machismo preferindo os mais machistas. Digo os mais porque como você disse, somos todos sujeitos ao machismo. Isso leva muitos a crerem que para não ficarem sozinhos, precisam ser mais machistas, mesmo que isso contrarie a sua índole. Há uma confusão de valores, porque há muita emoção envolvida.
    É fato que os homens conhecem o machismo dos próprios homens bem melhor do que as mulheres de quem eles escondem esse machismo. Tem muito cara que paga de feminista pra se dar bem. Muitos tentam (muitas vezes sem sucesso) se tornar mais machistas para se tornarem mais atraentes para o sexo oposto. O cara pode ser um porco chauvinista, mas se for bonito, tiver lábia e souber esconder bem o seu machismo, conseguirá fazer sexo com várias mulheres que dizem odiar homem machista e muitas vezes sem precisar esconder tanto, já que até muitas feministas acham as características desse homem machista atraentes para o sexo casual, justamente porque o homem machista não se envergonha da sua sexualidade com medo de parecer machista, “se essa buceta não se abrir pra mim, outra se abre”. Cafageste não é o que pega várias solteiro e não mente para nenhuma. É o cara que mente para conseguir fazer sexo. E acredite, se consegue muito sexo através de mentiras. Todo mundo quer fazer sexo e é muito difícil para um homem ver que quem mente para conseguir sexo tem muito mais sucesso do que quem fala a verdade. Difícil não pensar em um momento de carência: “Será que não é isso que eu devo fazer, mesmo sendo contra?”. A situação não é tão simples a ponto de resumí-la ao machismo com tanta carga emocional envolvida

    • Juca, concordo que as pessoas devem ser sinceras, mas friendzone não se resume a essas situações onde um lado deixa o outro “na geladeira”. Friendzone é toda situação de limbo dos relacionamentos, de paixão platônica não correspondida.
      O que eu critico no meu post é outro problema que ocorre em friendzones: o cara não aceitar uma recusa clara (veja bem, sinceridade) e dizer que, na verdade, a intenção da mulher era a de colocá-lo na geladeira. Trata-se de alguém que não está de fato em uma friendzone, mas usa esse artifício para se vitimizar e vilanizar a recusa da mulher.
      O machismo nesse tipo de situação é claro.

  12. Hugh diz:

    Gostei do pensamento, de fato ilustra muito bem o termo que virou moda nas redes sociais!

    Concordo com a senhorita do Blog!

    Nós homens somos muito machista quando nós vemos em uma situação de desdém como a da “Zona de amigo”.

    Há pouco tempo me vi, pela primeira vez nesta zona e sinceramente, não é algo a se subjugar como “Fácil de aceitar”. A rejeição nunca é bem vista por nenhum ser-humano, tão quão quando há um sentimento envolvido na história.

    Como muitos prepostos por aqui, não aceitei bem a situação, e com o orgulho ferido, por possuir “as qualidades” referidas pela amada, comecei a ser arrogante e infantil, ao ponto de ignorá-la como uma criança mimada.

    Na verdade, somos todos crianças mimadas nessa situação! O que de fato nos define é a tal da maturidade!

    Quem aqui nunca deixou alguém na zona de amigo, mesmo que à socapa atire a primeira pedra! É até irônico e um tanto quanto irracional agir, de certa maneira como eu agi depois de ter deixado várias na zona de amigo, por possuir as “qualidades” perfeitas de uma boa namorada, mas não do quesito “Peito e bunda”. (Perdoe-me, por inerência todo e qualquer homem, discreto ou não relevam esse fator).

    Creio que, como tudo na vida é feito de acertos, erros, escolhas e desatinos… Aceitar o fora e ser MADURO o suficiente só não prova que somos provenientes racionais emocionalmente, mas também pessoas de atitudes para relevar o fato e continuar com a velha amizade de sempre.

  13. Anderson Oliveira diz:

    oq vc tem na cabeça ???
    nda a ver oq vc escreveu ai,em alguns casos pod até ser verdd,mais nem sempre,e outra vc classificou isso como machismo e incitação a cultura d estupro.
    Caso vc n saiba,mulher tbm é jogada na Friendzone e age da msma forma,por acaso vc já viu um caso aond a mulher estupra um homem? sendo a Friendzone o motivo ou n ?
    Seria bom c vc revesse seu pensamento.

    • No caso, é uma crítica ao que eu vejo 99% das vezes, que são homens reclamando de mulheres que não quiseram ficar com eles. E incitação a cultura de estupro não é incitação ao estupro propriamente dito, mas sim a não dar valor ao “não” de uma mulher. Enfim, eu já expliquei o foco da minha crítica aqui várias vezes e não quero ser repetitiva, até porque uma pessoa que começa uma discussão com “o que você tem na cabeça?” não merece essa atenção toda.

  14. Discordo que haja machismo na ideia de friendzone. Acredito que haja, isso sim, machismo nos caras que foram friendzoned e eles demonstram isto colocando a culpa na mulher que os friendzonaram.

    A friendzone é uma merda e prejudica tanto homens ou mulheres, mas ela geralmnte acontece por conta destes mesmos homens e mulheres. O que geralmente acontece e é mostrado na mídia é: um carinha fica afim de uma mulher bonita que acha ele super legal. Daí ele tm todas as qualidades que ela preza em um amigo ou namorado, menos (e esse menos é o maior peso) a aparência. Ele, que foi atraído por ela pela aparência dela, não tem uma aparência uma trativa, daí ela prefere outros que o têm, enquanto isto, ele fica sofrendo e pondo a culpa de seu sofrimento nela.

    Por outro lado, e isto não é divulgado muito na mídia, a mulher pode ficar afim de um cara e ele não dar bola pra ela, usando-a somente como amiga. E provavelmente quando isto acontecer, a mulher não será muito bonita, pois a base onde a friendzone se edifica é justamente esta, uma pessoa afim de outra bonita.

    É claro que sempre haverá exceção à regra, ma geralmente o ponto central é a beleza da pessoa que friendzona os outros. O cafajeste que dá o fora em um monte de gurias também deixa um monte de mulher na friendzone, todas elas abaixo do padrão de beleza que ele estabelece como ideal para ele “pegar”.

    Quando a galera parar de ficar tão noiada com a aparência do parceiro ideal e começar a procurar mais a aparência do parceiro ideal, a friendzone acaba. E isso serve tanto para os friendzoners quanto para os friendzonados.

    • Sim, o machismo existe nos caras que foram friendzonados e não na ideia inicial de friendzone. Até porque não dá para dizer que um amor não correspondido é machista, mas sim que a reação das pessoas em reação a esse amor não correspondido releva preconceitos da nossa sociedade, inclusive o machismo.
      Pretendo escrever outro post sobre friendzone, dessa vez mais exemplificativo, para deixar minha crítica mais clara, e quero pedir permissão para colocar o seu comentário no post, pode ser?

      • Claro, fique à vontade. Eu acho esse assunto interessante e gostei do blog, Dois motivos para me sentir honrado em ser citado, hahaha.

        Agora se tu quiser fazer algumas edições no que eu escrevi, fica à vontade, pois eu reparei que meu texto tem vários erros de digitação (e de repetição) que podem vir a atrapalhar o entendimento. Por exemplo, no último parágrafo eu quis dizer que: “Quando a galera parar de ficar tão noiada com a aparência do parceiro ideal e começar a procurar mais a aparência interior, ou afinidades de personalidade, num parceiro ideal, a friendzone acaba.” Mais ou menos isso.

  15. O PROBLEMA NÃO É NEM FRIENDZONAR, É PROCURAR JUSTAMENTE ESSA PESSOA FRIENDZONADA (SEJA HOMEM OU MULHER) PRA CONTAR AS SUAS DECEPÇÕES,
    ISSO CHEGA A SER CRUELDADE, NÃO GOSTA , DIZ QUE NÃO GOSTA E PRONTO, e quando se decepcionar conte a outra pessoa !

  16. E OUTRA COISA A TÃO FALADA FRASE
    “EU QUERIA NAMORAR COM ALGUÉM TÃO BOM QUANTO VC”
    tipo pessoas que colocam outras na friendzone não façam isso por fvr!

  17. Esmilodonte diz:

    Sobre o termo “frindzone” não tem nada a ver com o machismo. É simplesmente uma pessoa (homem, mulher, hetero, homo etc.) que vê outra como amiga, e nada mais. Quando a outra pessoa está interessada/apaixonada isso se torna uma situação ruim, mas completamente normal.

    Concordo que o termo é utilizado de forma machista, como se apenas as mulheres colocassem os homens nesse “limbo”, e como se elas fizessem isso por falta de consideração ou por ego. Mas insisto, o termo em si, bem como as pessoas que o utilizam, não é machista. Isso é uma deturpação, como a Lina Paiva esclareceu.

    Sem dúvida é um direito de qualquer pessoa decidir que não quer ficar com alguém, decidir quem quer como amigo e decidir quais seus critérios pra escolha de um(a) namorado(a).

    No entanto, é bom ressaltar a hipocrisia de muitas mulheres e homens com relação ao assunto. Sou de acordo com esse GIF da página que diz “para as mulheres que se perguntam onde estão os homens decentes, estão na zona de amizade”. Apenas acrescentaria que isso também vale para os homens que perguntam “onde estão as mulheres decentes”. Ora, se a pessoa não se interessa pela outra, tudo bem, direito dela, mas daí a falar como se ela não existisse, como se o(a) amigo(a) não fosse homem (mulher), isso já é um desrespeito, uma desvalorização. Quase todas as pessoas que ouvi fazendo essa velha pergunta do “onde estão as pessoas respeitadoras, carinhosas etc” na verdade tem amigos e amigas que se enquadram nisso. Então pelo menos mudem a pergunta para “por que EU não me interesso pelas pessoas decentes que eu conheço?”

    Eu sou homem e já tive várias amigas inteligentes e simpáticas por quem eu nunca me interessei sexualmente. Mas eu jamais vou me queixar de que “é difícil encontrar uma garota decente”. No dia que eu fizer isso vou estar desmerecendo a amizade delas.

    Concordo com algumas coisas que o Anton falou, mas discordo que não devemos “jogar na cara” quando uma pessoa é hipócrita, seja homem ou mulher. Quando um carfa faz um comentário ou piada machista, o certo é jogar na cara dele o quanto ele foi machista, certo? Pode até não mudar em nada o comportamento dele, mas o importante é expor o que é machismo. E o mesmo vale pra hipocrisia: se uma pessoa (vale ressaltar, homem ou mulher) diz que não consegue encontrar pessoas com uma qualidade X, mas possui amizades com essa qualidade, claro que devemos expor isso. Apenas sou contra a generalização.

    • Sim, o termo em si não tem nada a ver com machismo, mas atualmente é usado de forma machista. Sim, é bom sempre falar quando a pessoa estiver sendo machista/hipócrita/etc. O foco do meu post não é isso. O foco é que tem se usado a friendzone para desmerecer mulheres que dizem não.

  18. O fato é que a cada dia que passa os caras que antes eram colocados na friendzone, aqueles bons, vão se tornando “cafajeste”, e vão estar aí na rua pra pegar geral e depois largar elas… Eu não sei se é disso que elas realmente gostam, mas é o que parecem… E não há como contra-argumentar isso. E mesmo aqueles que se mascararem de cafajestes, ainda assim, terão escondido aquela esperança de um dia encontrar alguém realmente legal, não importando com quantas garotas ficou, entretanto, será dificílimo eles se apaixonarem como antes de novo, sempre havendo uma dúvida.

    • Ok, acho que você não prestou muita atenção ao post, mas tudo bem.
      Estar na friendzone é simplesmente não ser correspondido. Simples assim. É chato não ser correspondido, é chato receber um não, claro que é. Acontece que tu não é obrigado a namorar com uma pessoa só porque ela gosta de ti. Se eu não estou interessada em um cara e digo “não”, se ele quiser virar cafajeste por causa disso, isso é responsabilidade 100% dele, não minha. A única pessoa pela qual podemos culpar pelo nosso caráter somos nós mesmos. Se alguém é cafajeste, é culpa dele e ponto.

  19. Olha eu aceito um não, mas o que eu queria entender é que as vezes uma mulher diz que não liga para o exterior de um homen e sim se ele é sincero, amoroso, fiel e que se importe com ela.Até que aparece um cara que tem todas esses qualidades psicologicas e percebe que tem uma chance pelo o que ela falou do cara que ela julga perfeito, mas no final ela preferiu o cara que é completamente deferente do que ela disse, isso pra mim que é friendzone.Então o cara fica chateado o que é normal, mas aceita a escolha dela.Qual o problema?A mulher mentiu em dizer que gosta de um tipo de cara e depois escolhe outro completamente deferente certo?

  20. E no final tem mulher que não aceita que gosta do cara cafajeste e tal.Gostar de uma pessoa não te faz cafageste também, o que acho errado é a mulher falar que gosta de um tipo de cara sem ligar para a aparência e no final escolhe um cafajeste.

  21. Bruno diz:

    Venho aqui deixar minha sincera opinião, como tal, pode ser contestada à vontade. Sou um sincero realista, mas mais moderado; espero não ser julgado por isso.
    Sinceramente, para mim, Friendzone é o seguinte: o cara gosta de uma menina, acha ela bonita e tal. Como ela sempre diz que quer um namorado legal, compreensivo, que a ouça, que a trate bem e outras coisas e ele sabe que tem tudo isso ele passa a ter esperanças. Certo dia ele se declara pra ela e recebe a célebre resposta “Desculpa, mas só gosto de você como amigo…”, acompanhado de uma cara de “desculpa…”. O cara se for fraco emocionalmente passsará a odiá-la e pode enveredar nos caminhos que você expôs aqui no post, mas são a minoria dos casos, felizmente.
    Vamos imaginar uma cena: suponhamos que o cara que levou o fora que mencionei anteriormente seja forte emocionalmente. Sendo assim ele não trilhará o caminho do ódio e violência; em vez disso ele se perguntará por que fora rejeitado. Como ele sabia que preenchia os requisitos que ela disse que gostava (carinhoso, atencioso, etc…, isso dito por ela própria em alguma fase da amizade), ele conclui que falta algo a ele. Então, como ele sabe que ela fica com alguns homens, ele vai ver como é o comportamento desses caras, para ver o que esses caras têm que ele não tem. Quando ele vê, nota que eles são cafajestes e que vivem cercados de mulheres, inclusive a que ele gosta. Então ele logo pensa: “se eu tivesse um comportamento assim, ela ficaria atrás de mim também? Então vou deixar de ser bonzinho e vou cair no mundo como esses que ela gosta”. O tiro inicial fora dado. E o pior é que assim que ele passa a ter esse comportamento as mulheres passam a assediá-lo também. Ele sabe que está obtendo somente prazer, mas antes nem isso ele tinha, então como ele vê que esse comportamento funciona, permanece assim por longos anos. Pronto! Mais um manipulador de mulheres saiu da linha de produção!
    O que você expôs no post é a situação extrema, e também mostra que homens e mulheres vêem a friendzone distintamente. A situação mostrada é claramente a de amor platônico, em que a menina nem sabe que o cara gosta dela. Friendzone de verdade é aquela que ela sabe que o cara gosta, mas não quer perder a muleta emocional, não quer perder o porto seguro onde ela pode chorar. O que elas não sabem é que ao chorar no ombro do friendzonado elas se sentirão aliviadas, mas o motivo disso é que a tristeza dela passou pra ele, que sofre por, mesmo gostando de verdade da garota, ter que se contentar em ser o ouvinte dela sobre os homens que ela se relaciona a deixou, homens esses que ela sempre disse a ele que não gostava: os cafas. Por isso muitos se revoltam.
    O assunto é vasto e o comentário já está longo demais. Aqui termino, mas se quiser continuar o debate avise-me. A história acima e todo o meu post serve para a situação homem/mulher e vice-versa. Mas friso que homem virando cafa está cada vez mais frequente porque eles querem se adaptar à esse mundo seguidor de aparências. Uma postura errada, admito, mas muitos deles vêem aí uma solução, fazer o que…

    Abraços!

  22. Pequenino diz:

    A maior vilanização é taxar um homem sincero, amigo, respeitador, sensível, preocupado com os sentimentos que esteja interessado em alguém de suposto bonzinho. Existem homens que foram educados para respeitarem os sentimentos das pessoas, que são gentis, sensíveis por natureza, que tiveram muitos baques na vida e por isso não aceitam magoar o próximo. Não te entendo que sempre ao se referir ao homem bonzinho se refere como se fosse um engodo e dos cafajestes como verdadeiros, sinceros. Hoje existem até treiners que ensinam técnicas para ser cafajeste.
    Passa a ideia de que ser manipulador/cafajeste é ser sincero, autentico e ser bom/educado é ser interesseiro com segundas intenções. Nas entrelinhas das suas respostas enxerguei isso, pode ter sido sua intenção, mas não está explicito, mas interpretável.

  23. Vitima diz:

    Nunca li tanta merda na minha vida… mds

  24. […] tem mais: quando termos como friendzone (pra quem não sabe o que é, aqui tem uma explicação com uma visão feminista) são utilizados até mesmo por homens adultos, que […]

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