Diga NÃO ao estupro corretivo

Eu estou completamente enojada com o que vi internet afora nesses dias, sério. Enojada, porém não surpresa. A notícia de que duas garotas de 16 anos denunciaram os integrantes da banda New Hit por estupro está dando o que falar nas redes sociais e mobilizando muita gente. O problema é que a mobilização é a favor dos integrantes. Quando vi isso pela primeira vez, achei que fosse porque eles tiveram seu direito a defesa cerceado ou algo do tipo, mas não. A mobilização (e a consequente perseguição às vítimas do abuso) está acontecendo pelo simples fato de haver denúncia. Exatamente: os fãs estão putinhos da vida porque seus ídolos não estão imunes ao sistema penal.

Eu pensei que nunca fosse precisar explicar o óbvio, mas aí vai: xingar/ameaçar/perseguir a quem denuncia crimes sexuais é o cúmulo da falta de empatia do ser humano e ajuda a perpetuar o silêncio das vítimas e a impunidade dos agressores. Parabéns, galerë! Assimilaram a cultura de estupro direitinho.

E que mídia, hein? Não podem nem sair de casa de tanta ameaça que recebem. É definitivamente o sonho de qualquer um 😉

Isso mesmo meninas, agora aguentem a ignorância desses boçais!

Claro, porque toda mulher que é estuprada no fundo queria dar mesmo, né? É só papinho…

Hmm, deixa eu ver: mulher denunciar homens por estupro? É cheira a mentira. Estupro não existe no Brasil.

Todo mundo sabe que um estupro só é legítimo quando ocorre com a mulher honesta, santa (canonizada depois de morta, sabe?) e assexuada, pois se a mulher tiver desejo sexual em algum momento da vida e ter uma paixonite por um ídolo (coisa que fã de verdade nunca teve), é porque não presta mesmo e não merecem respeito. Ou seja: o estupro é liberado, galerë! É só papinho e elas tem que aguentar!

Mulher que não é inocente não é estuprada, gente. Cabsurdo a mentira dessas meninas!

Claro, porque o estupro legítimo é altamente estereotipado e meninas que são forçadas a vender o corpo pelos próprios pais não estão sendo estupradas né, gente? São tudo safada mesmo e sabem se defender!

Onde já se viu as meninas terem a audácia de denunciar um estupro, né não? Tudo cachorra! Todo mundo sabe denúncias deixam qualquer um milionário. Vou lá denunciar um roubo e já volto com meus 2 milhões de reais…

Passou de 15 e 16 anos? Tudo puta! E o mais engraçado é que o que mais aparece é gente que tem “contatos” com a banda agora.

É mesmo, nem tinha me dado conta disso! Por que eu estou aqui reclamando da impunidade nos casos de estupro se há tantos estupros que nunca foram denunciados, não é mesm… OH WAIT

Meninas assanhadas querendo autógrafo? Estupro nelas! Estupro a todas que pedem autógrafo, pois todos os homens são estupradores disfarçados!

Claro que não foi forçado! Elas provocaram, pediram o estupro. Qualquer negativa delas foi frescurite! Estupro corretivo nelas!

Estupro não existe no Brasil gente, já que ninguém é obrigado a fazer nada que não queira 😉 FikDik :@

Eles devem ser presos pelo estupro sim, mas as meninas estupradas devem pagar por suas safadezas! Quem tem idade pra votar não pode reclamar de estupro.

Ameaçar a quem denuncia estupro é coisa de homens de BEM. Viva a impunidade, gente.

Estupro corretivo é para as meninas que não se dão valor. Tomem vergonha na cara!

Entrar em camarim de ídolo para pedir autógrafo e tirar foto? Coisa de puta que quer ser estuprada, lógico!

Gente, eu tenho mais alguns prints aqui, mas o nojo é maior e eu me abstenho de postar mais comentários asquerosos dessa gente tosca. Sabe o que eu acho mais ilógico nessa história toda? Os fãs da bandeca (tá mais pra bandecu) vivem repetindo que ninguém deve julgar os “garotos da New Hit”, que “só deus pode julgar” (claro, nosso sistema penal é só enfeite), mas são os primeiros a xingar, ameaçar, perseguir e humilhar as vítimas. Vários estão postando fotos delas no facebook (e é proibido fazer isso).

Outra coisa que notei foi gente pedindo a morte dos integrantes da banda, querendo destruir a casa dos familiares e tal. Pqp! Deixem a justiça privada de lado, ninguém aqui pode aplicar sanções penais. Ah, e desejar que eles sejam estuprados na cadeia também é naturalizar o estupro, é reforçar a ideia de estupro corretivo “para quem merece”. Eu repudio esse tipo de pensamento. Eles tem direito a um processo justo e humano, com garantia de ampla defesa. Aliás, é isso o que está faltando nesse caso: o respeito ao ser humano. Vamos ter mais empatia e parar de julgar as vítimas?

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Trolls que debatem?

Trolls, como lidar? Não há apenas uma resposta, infelizmente. Se trolls fossem apenas aquelas pessoas mal educadas escrevendo em caixa alta (geralmente com muitos erros de digitação devido a pressa), falando abobrinha, seria fácil. Esses trolls são fáceis de identificar e de lidar. Basta ignorar e pronto, uma hora a criança cansa e para. O problema é que nem sempre é assim.

Para começar, o que é um troll?

Trolls fofinhos em Toy Story 3… agora imagine esse trem indo direto pra sua caixa de comentários!

Wikipédia: “pessoa cujo comportamento tende sistematicamente a desestabilizar uma discussão, provocar e enfurecer as pessoas envolvidas nelas“. Também podem ser chamados de flamers.

YouPix: “Assim como muitos outros termos da internet, o troll agora faz parte do nosso dia a dia offline também. Um troll é um cara ~zuão~, que vive pra tirar um sarro de todo mundo. Virou até verbo: trollar. E todo mundo já trollou ou foi trollado!
Mas nem sempre o termo foi usado com esse sentido – e não faz muito tempo que ele “popularizou”. Até cerca de um ano atrás, mais ou menos, o troll era simplesmente quem discordava de algo em fóruns pela web afora e comentava com argumentos fracos e repetitivos. Ou seja, era aquele comentarista que cansava, irritava!
O cara que ofendia o fórum e distribuía xingamentos gratuitos por aí era, na verdade, o flammer, a versão agressiva do troll”.

Hoje troll e flamer viraram a mesma coisa, e uma trollada pode ser “ piada, tiração de sarro, pegadinha, xingamento, perseguição, encheção de saco“.

Deu pra ter uma ideia, né? O troll não precisa ser necessariamente agressivo e ofensivo, é um termo mais abrangente. Inclusive, eu diria que, para cada ambiente, há um troll diferente. Tem o mais polido, o mais escrachado, o piadista, o do contra, o que só aparece para desvirtuar o assunto, etc. Além disso, nem todo troll é um pé no saco, afinal de contas, uma piadinha aqui e acolá alegra o ambiente. Para não gerar dúvidas, falarei aqui somente dos trolls chatos.

Como lidar com os trolls? A dica mais repetida é simplesmente ignorar (não alimente os trolls), só que nem sempre é tão simples.

Eu tenho dificuldade em identificar os trolls “debatedores”, aqueles que aparecem em blogs/posts de redes sociais/comentários do Youtube e afins para supostamente discutir sobre o assunto em pauta.

Eu digo supostamente, porque o que se vê não é um debate sadio, mas sim uma desvirtuação do foco para o troll. Ele começa a discussão normalmente, mas, no decorrer da conversa, mostra seu verdadeiro objetivo. Alguns exemplos do que um troll “debatedor” pode fazer:

1- Ignorar qualquer argumento contrário aos seus questionamentos e repeti-los;

2- Dizer que não acredita nas fontes apresentadas, mas sem explicar o porquê;

3- Discutir com uma pessoa, e quando não conseguir sustentar seus argumentos, ignorá-la e passar a discutir com outra pessoa;

4- Querer diminuir a participação de alguém por não ter lido “tal livro” ou por não possuir conhecimentos técnicos/acadêmicos sobre algo;

5- Saber os nomes de diferentes tipos de falácias (em latim) e acusar a todos de usarem tais falácias no debate o tempo todo;

6- Usar de falsa simetria ou silogismo para “vencer” o debate;

7- Declarar-se o “vencedor” do debate quando os outros desistem da discussão.

O que eu acho mais chato nesse tipo de troll é que ele só vai se revelar no meio da discussão. Eu gosto muito de discutir na Internet, mas com pessoas educadas, que não queiram usar o debate para aparecer ou exibir a lista de livros que leu ou filmes cult que viu.

Além disso, esses trolls não são necessariamente pessoas estudadas e cultas, como gostam de aparentar (para humilhar os outros), já que é fácil virar “Dotô” através do Google.

E para vocês, qual tipo de troll atrapalha mais?

Friendzone? Machismo pouco é bobagem…

Friendzone, ou Zona da Amizade, é um termo muito usado para definir uma espécie de “limbo” dos relacionamentos, quando um dos envolvidos quer um romance com o outro, que, por sua vez,  só o vê como amigo. Não ser correspondido é uma experiência ruim, mas faz parte da vida,  não é mesmo? Ao que parece não, o que deveria servir como forma de lidar com as frustrações da vida acabou se tornando um círculo vicioso de vitimização e egoísmo.

Conheci um cara legal. Mais um troféu para minha zona da amizade.

O termo ganhou popularidade na série Friends, e desde então tem sido usado com frequência, especialmente por homens. O filme “Apenas Amigos” conta a história de um homem que foi friendzoned por sua melhor amiga na época do colégio, retornando à cidade 10 anos depois, cheio de rancor e pronto para mostrar a ela que é um outro homem, não mais o amigo companheiro e sensível de outrora. Vou usar esse filme como exemplo para explicar o porquê de a Friendzone ser um conceito machista, assim como sua relação com a cultura de estupro. ATENÇÃO! Abaixo há spoilers (revelações do enredo) do filme.

O filme começa com o personagem do Ryan Reynolds ainda adolescente, prestes a se formar na High School, escrevendo uma declaração de amor à sua amiga, personagem de Amy Smart. Graças a um descuido, a declaração cai em mãos erradas e ele é ridicularizado por colegas, enquanto a moça explica que só gosta dele como amigo. Magoado, o adolescente sai da cidade, dizendo que “um dia será alguém”.

O tempo passa e 10 anos depois, por acaso, ele volta à cidade. Perdeu alguns quilos, virou mulherengo (no more Mr. NiceGuy) e tem um bom emprego (e acha que vai impressionar sua velha amiga se agir feito um riquinho arrogante que trabalha com celebridades). Durante todo o filme, ele se comporta como uma criança mimada, querendo sair da zona da amizade de qualquer jeito, competindo com outro cara que também tem interesse pela moça. Em nenhum momento, e é bom frisar isso, ele se importa realmente com ELA, mas sim em conquistá-la, como se ela fosse um prêmio merecido pelo tempo que ele passou gostando e sofrendo por ela. Em um ponto do filme, ele chega a culpá-la pelo seu sofrimento amoroso, como se ela tivesse a obrigação de aliviar seu desejo.

Como toda comédia romântica, eles ficam juntos no final, mas só após ele pedir desculpas pelo comportamento infantil e demonstrar seu amor de forma sadia e normal.  Uma cena final, com três crianças, dá a entender que o drama da zona da amizade acontecerá outra vez, onde um menininho entrega seu biscoito à amiga, que agradece e dá o biscoito a outro menino. O menininho percebe que a menina só o vê como amigo e diz “oh não!”.

Por que friendzone é machismo?

1- Vilaniza mulheres por terem direito de escolher seus parceiros amorosos/sexuais;

2- O homem vê a mulher como um objeto de seu merecimento, e não como um ser humano complexo, com vontade própria e desejos;

3- O homem se sente injustiçado ao não ter seu bom comportamento reconhecido e recompensado. Ser “bonzinho” só para ter algo em troca é nojento. Se é tão ruim assim ser amigo da mulher desejada, é porque não é amigo dela, nem se importa com ela, só com o ego masculino ferido.

O que isso tem a ver com a cultura de estupro?

Tudo a ver. Mulher objetificada é mulher sem voz, sem vontades. O corpo da mulher é considerado público, à disposição de qualquer homem que se sinta merecedor. A partir do momento em que a mulher ganha voz e passa a decidir com quem transar, o homem machista se sente ameaçado. Lembremos que estupro não é um ato sexual, mas sim de dominação e poder. Friendzone nada mais é do que um discurso machista para julgar mulheres por seus desejos e escolhas, querendo colocá-las em “seu devido lugar”.

Atualização: devido a alguns questionamentos nos comentários, resolvi esclarecer alguns pontos que ficaram soltos e mal explicados.

E se gostarmos um do outro, mas ambos acharmos estar na zona da amizade?

Friendzone é o limbo dos relacionamentos, aquela situação de amor platônico, onde uma pessoa quer um relacionamento amoroso e a outra não. Essa situação se torna especialmente ruim porque as partes envolvidas não saem da situação, por algum motivo. Uma das reclamações mais frequentes é que o amigo desejado não expressa sua recusa, prendendo o amigo apaixonado na friendzone. Se houvesse um “não”, um “eu não tenho atração por você” ou “eu não gosto de você dessa forma”, a situação estaria resolvida. Isso não é o que eu critico aqui, gente. Acho que não ficou claro antes. Um artigo bom sobre o tema: 7 motivos pelos quais você foi colocado na friendzone.

Enfim, a minha crítica é sobre a deturpação desse conceito em um espiral sem fim de mimimis de quem não aceita “não” como resposta, ou se sente injustiçado por ser recusado por alguém. Vê-se memes vilanizando mulheres que recusam ter um relacionamento amoroso com amigos. Não se trata da friendzone como limbo, já que a recusa é clara. O que incomoda, nesses casos, é que a mulher tenha liberdade de escolher seus parceiros amorosos/sexuais. Memes e tirinhas explicando a grande injustiça que é ser um cara legal e não ser correspondido, enquanto a garota escolhe outros caras para namorar. Como se a garota não tivesse o direito de escolher seus parceiros. Uma coisa é a mulher agir de forma dúbia, para usar o amigo de massageador de ego (um dos problemas da friendzone), a outra é haver uma recusa clara e ser chamada de vadia por ter dito não (a friendzone deturpada e machista).

Essa é grande: Uma mulher tem um amigo próximo. Isso significa que ele provavelmente está interessado nela, já que está sempre por perto. Ela o vê somente como amigo. Isso sempre começa com um “você é um ótimo rapaz, mas eu não gosto de você desse modo”. Essa situação é aproximadamente o equivalente a um cara ir a uma entrevista de emprego e a empresa dizer: “você tem um ótimo currículo e todas as qualificações que nós procuramos, mas não vamos te contratar. Vamos, ao invés disso, usar seu currículo como base para comparar os outros candidatos. Mas vamos empregar alguém menos qualificado e provavelmente alcoólatra. Se não funcionar, vamos contratar outra pessoa, mas não você. Nós nunca iremos te contratar, mas te chamaremos eventualmente para reclamar sobre a pessoa que contratamos.

Vejam só: nessa situação HÁ recusa. A mulher diz que não gosta dele “desse modo”, que é um eufemismo para dizer que não se sente atraída. O que ocorre depois? O cara compara um fora a uma recusa de emprego. Como assim, Bial? Só eu acho isso bizarro?

O mais assustador não é isso, é ver que um dos comentários que ganhou mais likes foi este:

Se ela te colocar na zona da amizade, coloque-a na zona do estupro!
(Clique na imagem para ir ao site)

Um exemplo bem explícito do desrespeito ao “não” de uma mulher. Ver o estupro como vingança, mesmo que em forma de “brincadeira”, é perigoso. É a consequência mais grave desse tipo de pensamento, de não considerar a mulher como sujeito de vontades e escolhas.

Ela diz que você é o homem perfeito, mas ainda escolhe cafajestes ao invés de você. Não há como explicar isso.

Só eu acho muito conveniente se auto-declarar “bonzinho” e chamar todos os outros de “cafas”?

A Cartilha do Politicamente Incorreto

A moda agora é ser grosso e intolerante, brandar aos quatro ventos que imbecilidades preconceituosas e bagaceiras são “verdades incontestáveis”. Ser “politicamente incorreto” é cool, super moderno. As justificativas mais usadas para tal comportamento são: a liberdade de expressão, o gosto pessoal, o bom senso, ou “o que todo mundo pensa”.

Curiosamente, a maioria que defende o “politicamente incorreto” se diz defensora da moral e dos bons costumes. Eu me pergunto que moral é essa que justifica a humilhação e o preconceito? Quais são os bons costumes de gente que acha certo desrespeitar os outros por qualquer diferença que seja? Um dos valores basilares é o respeito ao próximo, e, conforme vamos amadurecendo, aprendemos a argumentar sem ofender, saber ouvir e se espressar de maneira civilizada.

Essa modinha possui alguns “heróis” bastante conhecidos na mídia, como o deputado Jair Bolsonaro, famoso por dar declarações de cunho racista e homofóbico sob o manto da “liberdade de expressão” e os comediantes (sic) do CQC, com piadas hi-la-ri-an-tes sobre estupro, amamentação, etc. É nessa onda que surgiu o patrulhamento feito pelos politicamente incorretos: qualquer um que discorde de suas opiniões é politicamente correto, o PIOR inimigo da humanidade é o politicamente correto, e por aí vai. O pior pesadelo dessa gente é ser criticada por avacalhar com os outros, por ser sem noção. Um exemplo recente é a vitória da Miss Angola no Miss Universo. Por um lado, é normal ver gente criticando a aparência da vencedora, por ter um gosto pessoal diferente, porém, não é normal xingar e rebaixar a miss só por não achá-la bonita. Expressar sua opinião sobre a beleza (ou a falta dela) em alguém não é equivalente à xingamentos e humilhações, isso parece mais implicância de coleguinhas na escola, bullying mesmo. Não gosta de cabelo crespo? Prefere loiras e de olhos claros? Legal, amigo, mas pra quê usar expressões como “negra aidética”, “parece uma favelada”, “ficaria melhor sem as cagadas na cara”, “macaca em um vestido”? É necessário se referir a alguém de modo tão chulo e bagaceiro? A patrulha chega a ser tão grande que, se alguém diz que a Miss Angola é bonita e mereceu ganhar, esse alguém só diz isso por ser “politicamente correto”. Ninguém pode achar negras bonitas e atraentes agora, é contra a verdade absoluta desses boçais.

Para aqueles que adoram distorcer as coisas: não quero acabar com o politicamente incorreto, não quero censurar ninguém, mas questionamentos são necessários. Questionar não é a mesma coisa que censurar. E não confundam politicamente incorreto com intolerância. O que critico aqui é a postura de ser intolerante e preconceituoso através do “politicamente incorreto”. Uma ironia do destino: politicamente incorreto virou eufemismo para racista/homofóbico/machista/intolerante, não passa, pois, de um termo politicamente correto para o preconceito.

Ter direito à liberdade de expressão torna alguém imune, impossível de sofrer críticas? É isso que os “politicamente incorretos” querem; imunidade total para detonar tudo e todos e AI de quem discorde ou critique suas opiniões tão incrivelmente superiores. Ora, é muito conveniente opinar assim, não exige grandes esforços argumentativos e muito menos um senso crítico apurado, basta inventar qualquer porcaria, colocar em forma de piada/jargão/silogismo aristotélico e VOILÁ, a “verdade universal que ninguém tem coragem de falar” está pronta, bonitinha para uso. Ah! Só não esqueça de puxar a descarga e lavar as mãos depois de usar, ok?

Atualização: sobre a suspensão de Rafinha Bastos do programa CQC, recomendo os seguintes posts; O politicamente incorreto só é errado quando atinge os ricos e Rafinha suspenso do CQC por ofender gente que importa.

Letícia 100 Homens

Tenho lido muito a respeito do blog 100homens, feito por uma blogueira que usa o pseudônimo Letícia, para contar sobre suas experiências sexuais,  em forma de lista, com a meta de transar com 100 homens em um ano. O blog têm sido foco de polêmicas, como deve-se imaginar. A blogueira tem sido alvo de trolls, gente sem noção se oferecendo para transar com ela, outros a comparando com garotas de programa, chamando de puta, vadia, vagabunda, y otras cositas más… Porém, o acontecimento mais bizarro se deu quando a Rádio Globo entrevistou Letícia, pois simplesmente entrevistaram uma impostora! Isso mesmo, os caras falaram com uma mulher que não era a autora do blog. Tragédia pouca é bobagem. Mais info sobre essa bizarrice da Rádio Globo nos seguintes links: CemHomens: Falta de ética no jornalismo, Rádio Globo entrevista falsa blogueira, Pronunciamento da Rádio Globo, PortalImprensa.

As reações ao blog são as mais diversas, como em qualquer polêmica, mas o que chamou a minha atenção foi a agressividade e a estupidez de alguns, claramente incapazes de opinar sobre um assunto sem partir para a ignorância. Não concorda com a vida sexual da guria? Não faça igual. Não concorda com a exposição das experiências sexuais dela? Ok, direito seu, mas precisa esculhambar com ela? Essa postura acrescenta algo a sua argumentação? Tem que ver isso daí… Pra mim, xingar os outros na internet é indício de frustração, e ninguém aqui é saco de pancadas dos outros.

Sobre o blog em si: expor a vida sexual na internet é arriscado, mesmo que não se identifique. Receber críticas sobre algo tão íntimo exige uma autoconfiança suprema, ainda mais quando o assunto é a sexualidade feminina. Nós, mulheres, aprendemos desde pequenas que a nossa sexualidade é algo que deve ser escondido, pois “menina que se comporta assim é mal falada”, “moça direita não toma iniciativa”, “quem dá no primeiro encontro não se valoriza”, etc. Toda mulher já ouviu algo do tipo. Os homens também são criados para classificar mulheres em “pra casar” e “pra comer”. Acho isso de uma limitação extrema. Quer dizer então que mulher que gosta de sexo é vadia? Moça boa é aquela que aparenta ser assexuada até que seu macho salvador a “adquira como esposa”?

Vamos desmitificar algumas coisas (baboseiras que li de trolls da Letícia):

1- Mulher GOSTA de sexo, ok? Eu fiquei chocada ao saber que tanta gente desconfia do óbvio. Muitos trolls da Letícia dizem que ela é prostituta por transar com vários homens, perguntam quanto ela cobra, etc. Não conseguem entender que a mulher faz sexo por gostar de sexo, sem fins lucrativos, rs. A garota de programa não está fazendo sexo por gostar, mas por necessidade, para ganhar dinheiro, ela cobra. Além disso, é o cliente que escolhe a garota de programa, logo, ela não faz sexo com quem quer. É muito diferente da mulher que gosta de sexo e busca aliviar seu tesão com quem ela quiser. São coisas opostas, gente, impossível de confundir prostituição com sexo casual, o objetivo do primeiro é o pagamento, o do segundo, a satisfação sexual. Vamos pensar um pouquinho, sim?

2- Mulher que faz sexo casual não é uma infiel em potencial (e nem mau caráter em potencial): em primeiro lugar, uma questão de lógica; quem faz sexo casual não está interessado em um relacionamento sério. Sabem por quê? Preparai-vos para uma revelação bombástica! Sexo casual é sexo sem compromisso, entenderam? Sem compromisso. Ora, se alguém é adepto do sexo casual, é possível traição? Se alguém não quer ter um compromisso, como é que ela vai trair? Ah, mas agora vão dizer que estão se referindo a mulher que, no passado, transou descompromissadamente com vários homens (o que seriam vários homens?) e agora quer um relacionamento. Bem, aí é questão pessoal, cada um se relaciona com quem quer. Não quer se relacionar com uma mulher pelo passado dela? Ok, problema é seu, acho que ela também não iria querer se relacionar com alguém que prefere avaliá-la pelo passado sexual do que pelo caráter e comportamento. O que é ridículo é querer medir o caráter pela quantidade de parceiros sexuais, não tem nada a ver uma coisa com a outra.

3- Regular a vagina alheia não te faz alguém melhor, só lamento champs. Cada um sabe o que é melhor para si, e é livre para fazer suas escolhas, desde que não prejudique ninguém. Simples, não? E o que aconteceu com o “atire a primeira pedra quem nunca pecou”? É tão fácil criticar o modo de vida dos outros para não ter olhar pro próprio umbigo, né? Para os analfabetos funcionais de plantão: não disse que todos devem concordar com a Letícia, não confundam discordar com se meter na vida alheia.

Bom, vou ficando por aqui, só um lembrete a que teima em distorcer as coisas: não quero censurar a quem discorda da Letícia, não sou a dona da verdade e não acho que as pessoas devam ter as mesmas opiniões em tudo. A minha crítica é a quem acha que tem o direito de desrespeitar alguém só por discordar dela.

Mais opiniões sobre o assunto aqui: Escreva Lola, Escreva, Cynthia Semíramis, Manual do Cafajeste (sim, opiniões divergentes).

Voltando…

Bem, estou voltando ao blog, após uma loooooonga pausa. Eu não sou uma pessoa disciplinada, que mantém suas tarefas regularmente, por isso meus diários nunca foram lineares, e o blog não é exceção. Rs.

Neste exato momento, estou na dúvida entre terminar um resumo de Administrativo II, ou jogar no Kongregate. Eu sei que preciso terminar esse resumo logo, mas sabe quando bate aquela depressão de domingo? Você sente que o fim de semana está chegando ao fim, o mundo não acabou, e começa o desespero de “omg tenho que fazer algo para aproveitar o resto do dia”. Pois é, estou nesse impasse.

Enfim… Vou fazer meu resumo de Administrativo II, afinal, o professor explica bem e a matéria ainda está fresquinha na cabeça. Infelizmente não posso dizer o mesmo de outra certa matéria, cujo resumo estou adiando desde quarta-feira…