Sessão de Prints #1 – Caso André Baliera

Depois de dois meses fora, voltei. E infelizmente o post vai ser pesado. André Baliera, estudante de 27 anos, foi espancado no início da semana por dois homens. A PM controlou a situação e prendeu os dois em flagrante. Baliera conta que estava andando na rua, quando ouviu xingamentos homofóbicos vindos dos dois rapazes, que estavam dentro de um carro. Como os enfrentou, os dois então saíram do carro e o agrediram. As agressões só pararam porque a polícia chegou na hora. Os indiciados contam outra história. Baliera teria mostrado o dedo do meio para eles, ao atravessar a rua. Um deles chegou a dizer que “Ele apanhou, apanhou de besta. Se tivesse seguido o caminho dele não teria apanhado“. Baliera fez um vídeo desabafando sobre o caso.

De acordo com essas declarações, podemos chegar a duas conclusões:

1- Baliera sofreu uma agressão homofóbica. O “dedo do meio” pode ter sido a resposta para os xingamentos que ouviu. Tal hipótese explica a motivação de Baliera em ter mostrado o dedo, afinal, ele não “seguiu o caminho dele”, como um dos agressores disse. Essa situação é muito comum. Gente que se acha imune porque está dentro de um carro e ficam gritando pros pedestres. Aí, quando alguém responde, vão lá bater para “se defender”. Se o cara é homossexual então, “pediu” para apanhar, né?

2- Baliera mostrou o dedo do meio por algum motivo ligado a trânsito, como um dos agressores disse. Tal situação é bem comum, ainda mais levando em conta que  tem muito motorista que quase atropela pedestre. Eu já fiz isso várias vezes (de mostrar o dedo para os apressadinhos), e já vi outros tantos fazerem também. Na faixa de segurança, quem tem preferência é o pedestre, e se isso não é respeitado por motoristas esquentadinhos, levam xingadas e dedos do meio mesmo. Tem vezes em que os pedestres estão errados, claro, mas na faixa é meio difícil. Enfim, tal gesto seria motivação o suficiente para dois marmanjões saírem do carro e encherem o cara de porrada? A situação foi tão feia que eles estão sendo indiciados por tentativa de homicídio qualificado, por motivo torpe. E ainda chamam de “briga normal de trânsito”? Ora, pelamor! Mesmo se Baliera tivesse provocado, como o advogado de defesa diz, a reação dos dois agressores foi muito desproporcional. Eles poderiam muito bem ter matado o cara, só pararam porque a PM chegou.

Nas duas hipóteses os agressores são babacas criminosos, a diferença é que na primeira, são homofóbicos, e na segunda, megalomaníacos. Enfim, não tem como ninguém defender a atitude deles, né? Veja bem… Depois de ver o vídeo do desabafo de Baliera, fui ler os comentários. Sim, gente, eu sei que ler comentários do Youtube é pedir para se decepcionar com a humanidade, mas lá fui eu, teimosa.

Oi? E ainda dizem que criminalizar a homofobia é exagero, pois não é crime de ódio...

Oi? E ainda dizem que criminalizar a homofobia é exagero, pois não é crime de ódio…

Esse pelo menos assume a homofobia

Esse pelo menos assume a homofobia

Extinção? Acho difícil.

Extinção? Acho difícil.

Sempre aparece um pulha para falar que quem denuncia "quer fama".

Sempre aparece um pulha para falar que quem denuncia “quer fama”.

1º: para ele, preconceito e crime de ódio não existem, só porque não é com ele.2º: e pensar que falavam a mesma coisa do casamento entre brancos e negros...

1º: para ele, preconceito e crime de ódio não existem, só porque não é com ele.
2º: e pensar que falavam a mesma coisa do casamento entre brancos e negros…

Lógica de quem usa falsa simetria: se héteros não são agredidos por sua sexualidade, homossexuais também não são.Parabéns, champs, agora conta isso para quem diz que quer criar campo de concentração para exterminar homossexuais...

Lógica de quem usa falsa simetria: se héteros não são agredidos por sua sexualidade, homossexuais também não são.
Parabéns, champs, agora conta isso para quem diz que quer criar campo de concentração para exterminar homossexuais…

Caras serem presos por baterem em uma pessoa por causa da sua sexualidade = ditadura gayzista. Ahã

Caras serem presos por baterem em uma pessoa por causa da sua sexualidade = ditadura gayzista. Ahã

Ain, estamos cansados desses gayzistas achando que tem direitos. Por que não ficam quietinhos, né?

Ain, estamos cansados desses gayzistas achando que tem direitos. Por que não ficam quietinhos, né?

Você tem liberdade de ser preconceituoso e ignorante, fi, só não pode sair xingando, humilhando, perseguindo e batendo nas pessoas por isso. Ô dificuldade!

Você tem liberdade de ser preconceituoso e ignorante, fi, só não pode sair xingando, humilhando, perseguindo e batendo nas pessoas por isso. Ô dificuldade!

Mesmo mimimi de sempre: "os gayzistas usam de vitimismo para terem mais direitos". Não tem como saber a verdade? Tem gente mau caráter de todos os lados? Cabe a Justiça averiguar? Caro, fi, só que vocês tem essa maniazinha chata de achar que quem sofre homofobia está inventando, ou exagerando para ter mais direitos. E isso ocorre toda santa vez que um caso de agressão homofóbica aparece na mídia. Troquem o disco.

Mesmo mimimi de sempre: “os gayzistas usam de vitimismo para terem mais direitos”. Não tem como saber a verdade? Tem gente mau caráter de todos os lados? Cabe a Justiça averiguar? Claro, fi, só que vocês tem essa maniazinha chata de achar que quem sofre homofobia está inventando, ou exagerando para ter mais direitos. E isso ocorre toda santa vez que um caso de agressão homofóbica aparece na mídia. Troquem o disco.

Mas nem tudo está perdido

Mas nem tudo está perdido

e quero acreditar que os que sabem respeitar o outro sejam a maioria.

e quero acreditar que os que sabem respeitar o outro sejam a maioria.

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O que realmente importa?

Tenho acompanhado as discussões sobre o suposto estupro no BBB e resolvi expor o que observei nesses últimos dias.

Primeiramente, eu já esperava essa enxurrada de comentários machistas, principalmente no Facebook, culpando Monique pelo ocorrido, pois é o que sempre acontece quando um caso de estupro é noticiado na mídia, sem exceções. É incrível a incapacidade (ou seria negação?) das pessoas em geral de entender que o comportamento de uma mulher NUNCA é justificativa de estupro. Começando pelo óbvio: uma mulher não é estuprada por seu passado sexual, ou pelas roupas que usa, ou por beber demais e muito menos por “dar mole”. Uma mulher é estuprada porque alguém a estuprou, simples assim. Não sei o que houve naquela madrugada no BBB, mas se Monique realmente estava desacordada na hora, a conduta entra no tipo de estupro de vulnerável, não há dúvidas quanto a isso. O objetivo da investigação é saber se ela estava acordada ou não, não querem saber se ela deu mole primeiro, ou se ela foi “fácil”, tampouco querem investigar o passado sexual dela, pois tais coisas são absolutamente irrelevantes em um caso de estupro.

Infelizmente, também não esperava uma atitude ética por parte da Globo, que esta fazendo de tudo para abafar o caso. Só o fato de haver uma suspeita de estupro dentro do programa mostra que a integridade física e sexual (e demais bens jurídicos dos participantes) não estão sendo devidamente protegidos pela Globo, que teria o dever de interferir logo que uma situação dessas acontecesse. A bizarrice não termina aí, Boninho, diretor do BBB, foi categórico ao afirmar que “não houve estupro”. Parece que o papel de Grande Irmão subiu à cabeça desse boçal, que se acha acima de tudo e de todos. Se não fosse pelo bafafá virtual, talvez suas táticas de controle e manipulação tivessem funcionado. Daniel saiu da casa e a polícia está investigando o caso, mas a Globo não desiste nunca, não é mesmo? Dentro do BBB, é como se Daniel nunca tivesse existido e ninguém toca no assunto, mais um feito do Grande Irmão. Para finalizar o circo de horrores, Monique continua dentro da casa, sem poder falar sobre o que houve, sem acesso às imagens daquela noite, enfim, sem direito a informação e autonomia sobre o próprio corpo. E o acompanhamento psicológico? E o direito a um advogado? Como ela pode depor sobre algo que não sabe? O mais importante agora é dar voz à Monique.

O silêncio dos participantes, a demonização de Monique pelos internautas e o descaso da Globo são reflexos do que acontece em demais casos de estupro, considerado um grande tabu ainda. O senso comum pinta o estupro como um crime raro, e que só mulheres honestas/de família seriam vítimas legítimas, sendo o agressor um desconhecido que ataca na calada da noite. Se a mulher for “fácil” (odeio essa palavra), beber, andar sozinha na rua (principalmente à noite), não for virgem, usar roupas curtas, ou fizer qualquer outra coisa fora do esperado para uma “mocinha comportada”, é porque mereceu ser estuprada, pediu por isso, e que sofra as consequências, afinal “quando um não quer, dois não fazem”.

Casos como esse nos mostram que estupro pode ocorrer em qualquer lugar, com qualquer pessoa, nas mais diversas situações. Mesmo que, no fim, reste provado que não houve estupro no BBB, o caso já serviu para mostrar como a cultura de estupro funciona.

Cultura de estupro?? Sim, isso mesmo. É achar que um estupro pode ser minimizado conforme o comportamento da mulher; é achar que o corpo da mulher é propriedade pública, e que qualquer homem tem o direito de usar o corpo de uma mulher que “merece”; é ensinar mulheres a não ser estupradas, não homens a não estuprar; é achar que homens são animais irracionais incapazes de controlar o desejo sexual; é objetificar o corpo da mulher, não reconhecendo-a como um ser humano; é usar estupro como arma de guerra; é dizer que, quando uma mulher diz “não”, ela quer dizer “sim”; é reclamar de friendzone, como se a mulher não tivesse direito a escolher seu parceiro, e a lista segue

Links sobre o assunto:

1- O Brasil não conhece os limites do abuso sexual

2- Caso de estupro pode fazer Globo perder concessão do reality

Essas novelas…

Essa cena já foi ao ar faz um tempinho, mas acredito que ainda mereça atenção. Não é preciso fazer uma análise profunda para perceber que a cena é extremamente preconceituosa, não é?

Pelo o que acompanhei por aí, a personagem Helena recebeu esse tapa por não ter cuidado da enteada, que acabou se acidentando.

1ª observação:  Que novelinha tosca! A Helena levando tapa porque não cuidou de uma marmanja da idade dela?! Só em novela do Manoel Carlos mesmo, onde sempre tem uma mulher mimada e infantil que sofre algum acidente/doença na vida e vira gente. Quem viu uma novela desse cara aí já viu todas…

2ª observação: De todos os barracos de novelas que me lembro, nunca vi a mocinha apanhando de joelhos. Acho muito curioso isso ter acontecido justamente com uma personagem negra, isso , pra mim, já diz muito sobre a mentalidade do autor do folhetim.

Manoel Carlos adora colocar “polêmicas” em suas novelas, talvez porque seja o único jeito de sustentar suas novelas medíocres alavancar a audiência, mas dessa vez o homem exagerou. Muita falta de respeito com as mulheres negras, que ainda são mais vulneráveis ao preconceito.

3ª observação: O mais preocupante nessa história toda é que o povo que acompanha a novelinha acha que o tapa foi merecido. Como assim? Quer dizer que é certo uma mulher negra se ajoelhar para ser esbofeteada por uma branca? É certo ela ser responsabilizada por um acidente que aconteceu com uma mulher da idade dela? Algo está muito errado. Ou as pessoas perderam o senso crítico, ou essa novela tem poderes hipnóticos.

É uma pena ver que as novelas (potentes formadoras de opinião e fonte de instrução no nosso país) estão carregadas de valores ultrapassados e criminosos.