O que está havendo com os publicitários?

Primeiro, a propaganda da Prudence; depois, a da Nova Schin, e agora a Marisa. Não que propaganda machista já não existisse antes, mas esses foram os casos de maior repercussão na internet recentemente (ano passado a propaganda Mulheres Evoluídas, da Bombril deu o que falar também), mas eu fico cada vez mais decepcionada com esses publicitários (leia-se: não com todos os publicitários, óbvio, mas com os que fazem tais propagandas wtf). Além de não terem imaginação e vomitarem clichê atrás de clichê a cada 10 minutos, eles demonstram total falta de sintonia com o público crítico, dizem que não se deve levar nada a sério, que é só piadinha e o escambau.

Usar humor como desculpa, aliás, é outro clichê supostamente liberal da atualidade. Certos humoristas vivem repetindo isso para parecerem transgressores. Fala-se em liberdade de expressão (ou seria liberdade de insulto?) e na defesa do humor ofensivo, onde “se você não quer ser insultado, não assista stand ups”. A incoerência é que usam essa fala para calar seus críticos, ou seja, liberdade de expressão é bom, pero no mucho, né?

Resolvi escrever este post após ler uma carta da redatora da AlmapBBDO, Sophie Schoenburg, em resposta às críticas a nova propaganda da Marisa. A carta pode ser lida aqui.

Não vou comentar sobre a carta em si, tendo em vista que as gurias do tumblr Machismo Chato de Cada Dia (link acima) fizeram com maestria. Não tenho o que acrescentar aos cutucos delas. Minha crítica é mais geral.

A moda agora é ser politicamente incorreto, mas de uma forma regrada, uniforme, engessada. Ser politicamente incorreto virou um estilo de vida para os wannabe cool. Sabe aquelas pessoas que assistiram House em algum momento de suas vidas e decidiram segui-lo como uma espécie de guru espiritual? Pois é, a coisa está nessa linha. A modinha do politicamente incorreto nada mais é do que querer ser como o Dr. House, soltando opiniões ácidas na cara das pessoas, doa a quem doer! Uhuul! Mãe, sou rebelde agora!

O problema é: para ser politicamente incorreto (de verdade), você precisa (1) ter algo para criticar, (2) saber como criticar, usando o contexto ao seu favor (3) para surpreender as pessoas e (4) ser transgressor. Usar humor para reforçar preconceitos da sociedade não é ser politicamente incorreto. Quem reforça preconceitos não está sendo transgressor, pois usa seu discurso para manter as coisas como elas estão, não acrescentam nada novo. Além disso, reforçar preconceitos é justamente o oposto de criticá-los! Quem faz isso e enche a boca para dizer que está sendo politicamente incorreto está é falando uma asneira das grandes! É por isso que a “cartilha do politicamente incorreto” é uma das coisas mais ridículas que eu já vi.

Monty Python rindo dessa gente

Outro problema que parece atingir as peças publicitárias é a falta de criatividade. Pelamor, quem já viu uma propaganda de cerveja viu todas! Quem viu uma propaganda para desodorante já viu todas! É muito cômodo pegar estereótipos largamente manjados e retocar com a pitada “politicamente incorreta” para parecer algo novo. Não somos nós que não entendemos o humor, são vocês que não sabem como fazer humor!

Ah, e não esqueçam! Tem Marcha contra a mídia machista amanhã!

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