Sessão de Prints #1 – Caso André Baliera

Depois de dois meses fora, voltei. E infelizmente o post vai ser pesado. André Baliera, estudante de 27 anos, foi espancado no início da semana por dois homens. A PM controlou a situação e prendeu os dois em flagrante. Baliera conta que estava andando na rua, quando ouviu xingamentos homofóbicos vindos dos dois rapazes, que estavam dentro de um carro. Como os enfrentou, os dois então saíram do carro e o agrediram. As agressões só pararam porque a polícia chegou na hora. Os indiciados contam outra história. Baliera teria mostrado o dedo do meio para eles, ao atravessar a rua. Um deles chegou a dizer que “Ele apanhou, apanhou de besta. Se tivesse seguido o caminho dele não teria apanhado“. Baliera fez um vídeo desabafando sobre o caso.

De acordo com essas declarações, podemos chegar a duas conclusões:

1- Baliera sofreu uma agressão homofóbica. O “dedo do meio” pode ter sido a resposta para os xingamentos que ouviu. Tal hipótese explica a motivação de Baliera em ter mostrado o dedo, afinal, ele não “seguiu o caminho dele”, como um dos agressores disse. Essa situação é muito comum. Gente que se acha imune porque está dentro de um carro e ficam gritando pros pedestres. Aí, quando alguém responde, vão lá bater para “se defender”. Se o cara é homossexual então, “pediu” para apanhar, né?

2- Baliera mostrou o dedo do meio por algum motivo ligado a trânsito, como um dos agressores disse. Tal situação é bem comum, ainda mais levando em conta que  tem muito motorista que quase atropela pedestre. Eu já fiz isso várias vezes (de mostrar o dedo para os apressadinhos), e já vi outros tantos fazerem também. Na faixa de segurança, quem tem preferência é o pedestre, e se isso não é respeitado por motoristas esquentadinhos, levam xingadas e dedos do meio mesmo. Tem vezes em que os pedestres estão errados, claro, mas na faixa é meio difícil. Enfim, tal gesto seria motivação o suficiente para dois marmanjões saírem do carro e encherem o cara de porrada? A situação foi tão feia que eles estão sendo indiciados por tentativa de homicídio qualificado, por motivo torpe. E ainda chamam de “briga normal de trânsito”? Ora, pelamor! Mesmo se Baliera tivesse provocado, como o advogado de defesa diz, a reação dos dois agressores foi muito desproporcional. Eles poderiam muito bem ter matado o cara, só pararam porque a PM chegou.

Nas duas hipóteses os agressores são babacas criminosos, a diferença é que na primeira, são homofóbicos, e na segunda, megalomaníacos. Enfim, não tem como ninguém defender a atitude deles, né? Veja bem… Depois de ver o vídeo do desabafo de Baliera, fui ler os comentários. Sim, gente, eu sei que ler comentários do Youtube é pedir para se decepcionar com a humanidade, mas lá fui eu, teimosa.

Oi? E ainda dizem que criminalizar a homofobia é exagero, pois não é crime de ódio...

Oi? E ainda dizem que criminalizar a homofobia é exagero, pois não é crime de ódio…

Esse pelo menos assume a homofobia

Esse pelo menos assume a homofobia

Extinção? Acho difícil.

Extinção? Acho difícil.

Sempre aparece um pulha para falar que quem denuncia "quer fama".

Sempre aparece um pulha para falar que quem denuncia “quer fama”.

1º: para ele, preconceito e crime de ódio não existem, só porque não é com ele.2º: e pensar que falavam a mesma coisa do casamento entre brancos e negros...

1º: para ele, preconceito e crime de ódio não existem, só porque não é com ele.
2º: e pensar que falavam a mesma coisa do casamento entre brancos e negros…

Lógica de quem usa falsa simetria: se héteros não são agredidos por sua sexualidade, homossexuais também não são.Parabéns, champs, agora conta isso para quem diz que quer criar campo de concentração para exterminar homossexuais...

Lógica de quem usa falsa simetria: se héteros não são agredidos por sua sexualidade, homossexuais também não são.
Parabéns, champs, agora conta isso para quem diz que quer criar campo de concentração para exterminar homossexuais…

Caras serem presos por baterem em uma pessoa por causa da sua sexualidade = ditadura gayzista. Ahã

Caras serem presos por baterem em uma pessoa por causa da sua sexualidade = ditadura gayzista. Ahã

Ain, estamos cansados desses gayzistas achando que tem direitos. Por que não ficam quietinhos, né?

Ain, estamos cansados desses gayzistas achando que tem direitos. Por que não ficam quietinhos, né?

Você tem liberdade de ser preconceituoso e ignorante, fi, só não pode sair xingando, humilhando, perseguindo e batendo nas pessoas por isso. Ô dificuldade!

Você tem liberdade de ser preconceituoso e ignorante, fi, só não pode sair xingando, humilhando, perseguindo e batendo nas pessoas por isso. Ô dificuldade!

Mesmo mimimi de sempre: "os gayzistas usam de vitimismo para terem mais direitos". Não tem como saber a verdade? Tem gente mau caráter de todos os lados? Cabe a Justiça averiguar? Caro, fi, só que vocês tem essa maniazinha chata de achar que quem sofre homofobia está inventando, ou exagerando para ter mais direitos. E isso ocorre toda santa vez que um caso de agressão homofóbica aparece na mídia. Troquem o disco.

Mesmo mimimi de sempre: “os gayzistas usam de vitimismo para terem mais direitos”. Não tem como saber a verdade? Tem gente mau caráter de todos os lados? Cabe a Justiça averiguar? Claro, fi, só que vocês tem essa maniazinha chata de achar que quem sofre homofobia está inventando, ou exagerando para ter mais direitos. E isso ocorre toda santa vez que um caso de agressão homofóbica aparece na mídia. Troquem o disco.

Mas nem tudo está perdido

Mas nem tudo está perdido

e quero acreditar que os que sabem respeitar o outro sejam a maioria.

e quero acreditar que os que sabem respeitar o outro sejam a maioria.

Por Que Marcha das Vadias?

Com a proximidade do evento, muitos tem se perguntado o porquê do nome da Marcha. Neste texto, juntarei links de posts sobre a Marcha, para apresentá-la de modo geral.

A Marcha começou no Canadá, após um policial afirmar, em uma universidade, que as mulheres deveriam parar de se vestir como vadias, a fim de evitar estupros. Chamada de SlutWalk, o objetivo da marcha é o de reapropriar o termo “vadia” (slut), e de mostrar que o modo como uma mulher vive sua sexualidade não deve ser visto como justificativa para crimes.

A SlutWalk gerou uma reação em cadeia, e várias Marchas foram feitas em diversas cidades do mundo. A tendência é que a Marcha se espalhe cada vez mais. Cabe a nós mudarmos conceitos nocivos às mulheres, como a objetificação sexual. Se engana quem acredita que a Marcha das Vadias defenda e/ou promova a objetificação da mulher.

A objetificação, é sempre bom lembrar, é a desumanização da mulher, ou seja, a mulher vista como uma coisa genérica, sem personalidade própria, vontades e sentimentos. Se não conseguimos reconhecer um grupo como seres humanos, não há empatia, e a violência contra tal grupo torna-se menos grave, ou até justificável.

Textos excelentes sobre a Marcha:

Marcha das Vadias – Revista TPM

A Marcha das Vadias e a mercantilização do corpo e vida das mulheres – SOF

Viva a Marcha das Vadias! Já a reação a ela… – Escreva Lola Escreva

Oito ideias para entender a Marcha das Vadias – Revista Parafuso

Inevitável é, ao falar sobre a Marcha, esclarecer algumas críticas infundadas. Vamos a elas:

1- É uma manifestação anti-homem. Coloca as mulheres como vítimas e homens como algozes.

Não, não é uma manifestação anti-homem, muito menos uma declaração de ódio aos homens, ou a visão de que todos os homens são estupradores em potencial. O foco da Marcha simplesmente não está nos homens. Isso quer dizer que eles estão proibidos de participar? Evidentemente que não. Todos são bem-vindos e é inclusive importante que homens estejam na Marcha, a preocupação com a violência sexual não é um assunto somente feminino. Mas os homens não são vistos como algozes da objetificação feminina? Não, não há um único responsável pela objetificação, que resulta do machismo. Machismo não é um comportamento intrinsecamente masculino. Há pessoas (homens E mulheres) machistas, creio que em igual proporção. Não vemos homens como vilões, e o mundo não é simplista, não há a luta do bem contra o mal aqui. O lema é a conscientização de todos.

2- As mulheres querem viver irresponsavelmente. Todos nós temos que assumir a responsabilidade por nossos atos. Se eu andar pela rua com dinheiro nas mãos, ou com um relógio caro à vista, não posso reclamar se for assaltado. Do mesmo modo, uma mulher que anda na rua com pouca roupa chama a atenção do estuprador.

Eu não gosto quando comparam estupros a furtos ou roubos, e é uma comparação infelizmente muito comum. Primeiramente, porque não se pode comparar a dignidade sexual de alguém com um bem patrimonial/financeiro; o ser com o ter. Depois, porque esse tipo de raciocínio é muito subjetivo. O que é considerado provocativo? O que acho perigoso é a defesa que alguns fazem ao cerceamento de liberdade de ir e vir das mulheres. Se andar na rua deixa a mulher vulnerável a abusos, e tais abusos são considerados naturais (vide as “cantadas”, ou a passada de mão), e é dever único e exclusivo das mulheres evitar tais abusos, qual é a solução? Ficar em casa (não trabalhar/estudar/sair)?

O abuso sexual é um medo constante das mulheres. Acontece que não há uma cartilha de como ocorre o estupro, não há como prever que alguém é um estuprador. Concordo que todos devem ter cautela, mas o cerceamento da nossa liberdade de ir e vir não faz parte disso. Além disso, a maioria dos estupros ocorrem dentro de casa, e por pessoas conhecidas. Como a roupa influencia nesses casos?

3- A Marcha das Vadias é um incentivo à promiscuidade e ao sexo irresponsável.

Não, a Marcha não promove o sexo irresponsável. A Marcha promove a liberdade sexual da mulher. O que isso significa? Significa que a mulher não deve ser desrespeitada por ter desejo sexual, assim como o homem heterossexual não é. Se a mulher gosta de sexo, se ela teve mais de um parceiro sexual, se ela faz sexo casual, adivinhe só: isso não dá a ninguém o direito de desrespeitar essa mulher; de xingá-la e humilhá-la. Assim como ninguém tem o direito de fazer isso com um homem. Ter desejo sexual e gostar de sexo não é moralmente condenável.

4- Querem obrigar o homem a ficar/namorar/casar com uma mulher “rodada”.

É óbvio que ninguém deva ser obrigado a se relacionar com alguém (vide friendzone). Se não há compatibilidade, parte pra outra e pronto. Não há necessidade de desrespeitar, de xingar. Isso é tão difícil de entender? Uma curiosidade: quantos parceiros sexuais uma mulher deve ter para ser “rodada”? Esse conceito não é desrespeitoso por si só, por vincular o valor de alguém a sua “quilometragem” sexual? Por que há tantos termos pejorativos para criticar a sexualidade feminina? Termos como vadia, puta, piranha, vagabunda só tem esse peso para mulheres. Qual é a finalidade disso? Se a sexualidade masculina não pode ser reprimida, por que a feminina o é?

5- O homem também sobre pressão sobre o modo de viver sua sexualidade.

Sim, o machismo é prejudicial a todos, não somente às mulheres. Apesar de o machismo ser uma ideologia que afirma a superioridade do homem em relação à mulher, os homens não estão livres da pressão social. A obrigação de ser pegador, provedor, forte, viril, calculista e de não demonstrar emoções é ainda muito forte. O homem que não “age como homem” tem sua masculinidade posta em dúvida. E claro, em uma sociedade heteronormativa, onde homossexuais são alvo de chacota e violência por serem homossexuais; ser chamado ou “confundido” com um homossexual é um insulto para a maioria.

Qual é a solução: continuar a discriminar homossexuais (obs.: texto ótimo sobre o tema no Abstraindo a Realidade, de Ramiro Catelan 🙂 ) e ridicularizar homens que não se encaixam no padrão viril, ou buscar meios de repensar a masculinidade e a posição do homem no mundo? Já é hora de abandonar essa ideologia que discrimina homens e mulheres por exercerem sua sexualidade livremente. Criticar uma Marcha que busca o questionamento dessa ideologia não vai mudar a situação dos homens. A Marcha das Vadias é impassível de críticas então? Nada é impassível de críticas, mas críticas incoerentes serão questionadas.

Por hoje é só, espero vocês na Marcha!

Marcha das Vadias – Porto Alegre. Dia 27/05 (Domingo). Às 13h, concentração no Arco da Redenção. 16h – Saída da Marcha.

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Blogagem Coletiva: estupros como presente em Queimadas – PB

Post para a Blogagem Coletiva iniciada pelo Luluzinha CampBlogueiras Feministas.

Portal Belmonte Notícias

Como muitos, fiquei sabendo desses crimes absurdos através de blogs e artigos na internet (aqui, aqui, aqui e aqui, pra começar). Apesar de saber que vivemos em uma sociedade machista, que naturaliza o estupro, nunca deixarei de me chocar com crimes tão cruéis como esse, eu não quero acreditar que 10 homens normais (nada de tarados psicopatas desconhecidos em becos escuros), amigos e familiares das vítimas, se sentiram tão merecedores de seus corpos que planejaram os estupros como “presente” de aniversário. Não quero acreditar que as mulheres são vistas assim, como meros objetos sexuais, sem vontades, sem sentimentos. Eram todos psicopatas? Marginais? Anormais? Eram homens comuns, com família, emprego, amigos, etc. Não quero MESMO acreditar que seja assim tão fácil reunir 10 homens para estuprar e matar mulheres. Infelizmente é a realidade, não podemos ignorá-la.

Essa dificuldade em reconhecer mulheres como seres humanos complexos não é coisa de uns poucos criminosos, é de uma sociedade inteira. Somos educadas a nos inferiorizar, e homens são educados para nos inferiorizar também. A palavra “mulherzinha” é um xingamento para quem é fresco, fraco, ou faz coisas consideradas femininas, como cuidar da casa, cozinhar, se arrumar, ou, simplesmente, chorar. Ser mulher é tão humilhante assim para virar xingamento?

Vamos analisar os papéis de gênero. Meninas e meninos são divididos desde cedo, a interação não é encorajada. Os brinquedos voltados para meninas são delicados, meigos, cor-de-rosa. Aprendemos a cozinhar, a cuidar da casa, dos bebês, a valorizar a amizade e a família, a sonhar com contos-de-fada e romances. Devemos ser dóceis e quietas, submissas. Com os garotos é bem diferente. Eles são encorajados a correr, se aventurar, ganham brinquedos violentos e animados. Para eles, nem o céu é o limite, e valores como coragem, bravura, força e dominação lhe são ensinados desde pequenos.  Basicamente: mulheres são criadas para dar carinho e cuidar, enquanto homens, para lutar e dominar. É saudável educar metade da população para a passividade e outra para a agressividade? Separar crianças por gênero dificulta a empatia um pelo outro.

A segregação continua na adolescência. Uma enxurrada de livros e revistas teen surgem com mil e uma explicações sobre como se aproximar do sexo oposto (se a garotada brincasse junta, tais dicas não seriam necessárias). As diferenças ficam mais aparentes (e a mídia adora explorar isso). Começa aquela baboseira toda de “mulheres são de Vênus e homens são de Marte” (deusa do amor e deus da guerra, respectivamente). TCHARAM!! Viramos seres de outra espécie.

 

O “universo feminino” é taxado de fútil, superficial e volúvel. Mulheres são infantilizadas, estéricas e frescas (Sex and the City não me deixa mentir, nem Meninas Malvadas). Tudo o que é feminino é menosprezado pelos homens (e até por nós mesmas!), é menos importante, frescura.

Não termina por aí, também somos objetificadas no clube do bolinha. Comerciais de cerveja são um bom exemplo de como a mulher é vendida ao homem. Um brinquedo/serva sexual, pronta para satisfazer qualquer sede do homem. São mulheres sem vontade própria, sua sexualidade é apenas voltada ao homem, nunca ao prazer próprio.

Até em filmes há uma dificuldade em representar mulheres como seres humanos comuns, e o Bechdel Test analisa isso. É um teste simples: o filme deve conter (1) duas ou mais personagens mulheres que tenham nomes(2) que falam uma com a outra (3) sobre qualquer coisa, menos homens. Se o filme passar no teste, ele representa mulheres como seres humanos, e é incrível como muitos não passam. Mais informações sobre o teste aqui.

Não enxergar a mulher como pessoa é o cerne da cultura de estupro. Quem tenta justificar um estupro, ou culpar a mulher estuprada, não a reconhece como semelhante, como sujeito.  Cultura de estupro é dizer que homens não controlam seus impulsos sexuais, é ensinar meninas e mulheres a não serem estupradas e a responsabilizá-las pelo estupro sofrido. A cultura de estupro pode aparecer através de piadas, ou de estupros coletivos como presente de aniversário.

Obs.: (1) Não, eu não disse que todos os homens são estupradores/maus, critico a ideologia machista (2) tampouco nego que outros grupos de pessoas sejam estereotipados e marginalizados na sociedade (3) o fato de eu apresentar esse problema não quer dizer que negue, ou não me importe, com outros tipos de discriminação. Digo isso porque sempre aparece um zé mané pra falar essas besteiras quando alguém questiona e critica o machismo.

A Cartilha do Politicamente Incorreto

A moda agora é ser grosso e intolerante, brandar aos quatro ventos que imbecilidades preconceituosas e bagaceiras são “verdades incontestáveis”. Ser “politicamente incorreto” é cool, super moderno. As justificativas mais usadas para tal comportamento são: a liberdade de expressão, o gosto pessoal, o bom senso, ou “o que todo mundo pensa”.

Curiosamente, a maioria que defende o “politicamente incorreto” se diz defensora da moral e dos bons costumes. Eu me pergunto que moral é essa que justifica a humilhação e o preconceito? Quais são os bons costumes de gente que acha certo desrespeitar os outros por qualquer diferença que seja? Um dos valores basilares é o respeito ao próximo, e, conforme vamos amadurecendo, aprendemos a argumentar sem ofender, saber ouvir e se espressar de maneira civilizada.

Essa modinha possui alguns “heróis” bastante conhecidos na mídia, como o deputado Jair Bolsonaro, famoso por dar declarações de cunho racista e homofóbico sob o manto da “liberdade de expressão” e os comediantes (sic) do CQC, com piadas hi-la-ri-an-tes sobre estupro, amamentação, etc. É nessa onda que surgiu o patrulhamento feito pelos politicamente incorretos: qualquer um que discorde de suas opiniões é politicamente correto, o PIOR inimigo da humanidade é o politicamente correto, e por aí vai. O pior pesadelo dessa gente é ser criticada por avacalhar com os outros, por ser sem noção. Um exemplo recente é a vitória da Miss Angola no Miss Universo. Por um lado, é normal ver gente criticando a aparência da vencedora, por ter um gosto pessoal diferente, porém, não é normal xingar e rebaixar a miss só por não achá-la bonita. Expressar sua opinião sobre a beleza (ou a falta dela) em alguém não é equivalente à xingamentos e humilhações, isso parece mais implicância de coleguinhas na escola, bullying mesmo. Não gosta de cabelo crespo? Prefere loiras e de olhos claros? Legal, amigo, mas pra quê usar expressões como “negra aidética”, “parece uma favelada”, “ficaria melhor sem as cagadas na cara”, “macaca em um vestido”? É necessário se referir a alguém de modo tão chulo e bagaceiro? A patrulha chega a ser tão grande que, se alguém diz que a Miss Angola é bonita e mereceu ganhar, esse alguém só diz isso por ser “politicamente correto”. Ninguém pode achar negras bonitas e atraentes agora, é contra a verdade absoluta desses boçais.

Para aqueles que adoram distorcer as coisas: não quero acabar com o politicamente incorreto, não quero censurar ninguém, mas questionamentos são necessários. Questionar não é a mesma coisa que censurar. E não confundam politicamente incorreto com intolerância. O que critico aqui é a postura de ser intolerante e preconceituoso através do “politicamente incorreto”. Uma ironia do destino: politicamente incorreto virou eufemismo para racista/homofóbico/machista/intolerante, não passa, pois, de um termo politicamente correto para o preconceito.

Ter direito à liberdade de expressão torna alguém imune, impossível de sofrer críticas? É isso que os “politicamente incorretos” querem; imunidade total para detonar tudo e todos e AI de quem discorde ou critique suas opiniões tão incrivelmente superiores. Ora, é muito conveniente opinar assim, não exige grandes esforços argumentativos e muito menos um senso crítico apurado, basta inventar qualquer porcaria, colocar em forma de piada/jargão/silogismo aristotélico e VOILÁ, a “verdade universal que ninguém tem coragem de falar” está pronta, bonitinha para uso. Ah! Só não esqueça de puxar a descarga e lavar as mãos depois de usar, ok?

Atualização: sobre a suspensão de Rafinha Bastos do programa CQC, recomendo os seguintes posts; O politicamente incorreto só é errado quando atinge os ricos e Rafinha suspenso do CQC por ofender gente que importa.

Onívoros contra veganos

Hoje estava conversando com um amigo no msn quando ele me manda isso: http://twitpic.com/367bu6 . Sinceramente, qual é a implicância com veganos, gente? Se você fica putinho com os veganos por causa de sua ideologia, vá se tratar, ou melhor, vá arranjar algo de útil para fazer ao invés de pensar infantilidades.

Veganismo é uma ideologia baseada nos direitos dos animais, por isso a dieta é estritamente vegetariana. Não confundam veganismo com vegetarianismo, por favor, né?  Todo vegano é estritamente vegetariano, mas nem todo vegetariano é vegano. Existem os vegetarianos ovolacto, ou seja, os que se alimentam de derivados de animais como ovos e leite.

Os comentários que li nesse link do início do post mostram uma coisa: onívoros reclamam do “fundamentalismo” dos veganos, mas quem mais ataca e xinga são os próprios onívoros. Ironia? Acho que não. Quem são os verdadeiros radicalistas aqui? Quem são os que ficam impondo seus hábitos alimentares aos outros, achando que quem “dispensa churrasco” é trouxa?

Olhem para os próprios umbigos antes de apontarem o dedo sujo na cara dos outros. Não é porque sou onívora que vou aceitar a imaturidade de outros onívoros.

Essas novelas…

Essa cena já foi ao ar faz um tempinho, mas acredito que ainda mereça atenção. Não é preciso fazer uma análise profunda para perceber que a cena é extremamente preconceituosa, não é?

Pelo o que acompanhei por aí, a personagem Helena recebeu esse tapa por não ter cuidado da enteada, que acabou se acidentando.

1ª observação:  Que novelinha tosca! A Helena levando tapa porque não cuidou de uma marmanja da idade dela?! Só em novela do Manoel Carlos mesmo, onde sempre tem uma mulher mimada e infantil que sofre algum acidente/doença na vida e vira gente. Quem viu uma novela desse cara aí já viu todas…

2ª observação: De todos os barracos de novelas que me lembro, nunca vi a mocinha apanhando de joelhos. Acho muito curioso isso ter acontecido justamente com uma personagem negra, isso , pra mim, já diz muito sobre a mentalidade do autor do folhetim.

Manoel Carlos adora colocar “polêmicas” em suas novelas, talvez porque seja o único jeito de sustentar suas novelas medíocres alavancar a audiência, mas dessa vez o homem exagerou. Muita falta de respeito com as mulheres negras, que ainda são mais vulneráveis ao preconceito.

3ª observação: O mais preocupante nessa história toda é que o povo que acompanha a novelinha acha que o tapa foi merecido. Como assim? Quer dizer que é certo uma mulher negra se ajoelhar para ser esbofeteada por uma branca? É certo ela ser responsabilizada por um acidente que aconteceu com uma mulher da idade dela? Algo está muito errado. Ou as pessoas perderam o senso crítico, ou essa novela tem poderes hipnóticos.

É uma pena ver que as novelas (potentes formadoras de opinião e fonte de instrução no nosso país) estão carregadas de valores ultrapassados e criminosos.

Xenofobia e Bairrismo

Algumas pessoas adoram se achar mais humanas que outras, menosprezando-as por motivos fúteis, como o local de origem.

Um exemplo atual desse tipo de preconceito é o “caso Maitê Proença”. A atriz fez uma reportagem extremamente desrespeitosa quando foi a Portugal, debochando dos portugueses.

Acho estranho que num mundo atual tão interligado ainda sobre espaço para esse tipo de coisa. Pode ter alguma função terapêutica para quem não quer ver os defeitos do próprio país. É mais cômodo, não é?

O mesmo vale para o preconceito entre as regiões de um país. Moro no Rio Grande do Sul e me envergonho com algumas atitudes que presencio. Percebo que o preconceito contra outros estados é mais presente nos jovens. já ouvi muita gente da minha idade falando coisas do tipo: “O Sul é meu país” ou “o Nordeste empobrece o Brasil e prejudica o Rio Grande do Sul”.

Irrito-me muito com esse tipo de coisa, principalmente quando a “pérola” sai da boca de um jovem que tem condições de se informar, mas prefere “ficar zoando por aí” e contar vantagem, sem se importar com o que diz. Os “donos da verdade”, que moram no “melhor” estado, torcem para o “melhor” time de futebol,  estudam na “melhor” escola, têm as “melhores” roupas e aparelhos eletrônicos, blá blá blá…O resto é “chinelagem”.

Pra mim, esse complexo de superioridade é fachada. Quem se mostra muito não se sente nada.

Gostaria de deixar bem claro que eu não estou generalizando. Esse tipo de atitude não é exclusiva de gaúchos e estou certa de que não são só alguns jovens que pensam assim, só comentei que eu tenho percebido essas atitudes preconceituosas mais acentuada nos jovens. Não vi nenhum adulto com quem convivo (seja parente, professor ou meros conhecidos) ser preconceituoso com outros lugares. Minto. Uma vez eu vi sim um adulto fazendo comentários pejorativos em relação a um estado brasileiro. Nos jovens eu percebi esse tipo de comportamento com maior facilidade, talvez porque os adultos sejam mais sutis, ou não.